A febre da inteligência artificial está impulsionando um grande problema para a eletrônica de consumo. Fabricantes enfrentam pressões crescentes em custos, inovação e expectativas do mercado, redefinindo o futuro do setor.
O entusiasmo em torno da IA impulsiona a demanda por dispositivos mais inteligentes, capazes de processar dados localmente e oferecer experiências personalizadas. Contudo, essa efervescência tecnológica revela uma série de obstáculos que podem redefinir o futuro do setor. A necessidade de hardware especializado e o desenvolvimento contínuo de software criam um cenário de competição acirrada e investimentos massivos.
A pressão para integrar recursos de IA em smartphones, vestíveis e eletrodomésticos exige um esforço sem precedentes em pesquisa e desenvolvimento. Este movimento, embora promissor, também expõe vulnerabilidades na cadeia de suprimentos e na capacidade de inovação das empresas.
Gargalos na produção e a escalada de custos
A principal barreira imposta pela febre da IA na eletrônica de consumo reside nos gargalos de produção e no consequente aumento dos custos. Relatórios recentes apontam que a demanda por chips especializados em IA supera significativamente a capacidade de produção global, gerando gargalos para fabricantes de eletrônicos de consumo.
Essa escassez eleva os preços dos componentes essenciais, impactando diretamente o custo final dos produtos eletrônicos e pressionando as margens de lucro dos fabricantes, como destacado pela Exame em janeiro de 2026 e InfoMoney em dezembro de 2025.
Além dos chips, o desenvolvimento de software de IA para rodar eficientemente em dispositivos com recursos limitados de bateria e processamento representa um desafio técnico complexo, segundo a Consumer Technology Association (CTA).
Empresas investem pesado para otimizar modelos de IA, mas a escassez global de talentos em engenharia de IA dificulta a inovação e o lançamento de novos produtos, conforme o Blog Murrelektronik em março de 2025 e a TE Connectivity.
O consumidor na era da inteligência artificial
As expectativas dos consumidores também foram transformadas pela febre da IA, criando um novo paradigma para a eletrônica de consumo. Artigos do Consumidor Moderno em junho de 2024 indicam que os consumidores esperam cada vez mais funcionalidades de IA ‘on-device’, como processamento de linguagem natural e visão computacional.
Isso significa que dispositivos sem esses recursos avançados são rapidamente percebidos como obsoletos, acelerando o ciclo de substituição e gerando preocupações. Um estudo da Pplware em dezembro de 2025 corrobora essa tendência, mostrando que a vida útil percebida de eletrônicos sem recursos avançados de IA está diminuindo, levantando questões sobre a obsolescência programada.
A indústria precisa equilibrar a inovação impulsionada pela IA com a responsabilidade ambiental e a viabilidade econômica de produtos que atendam às novas demandas do mercado.
A febre da IA, embora um motor de progresso, força a indústria de eletrônicos de consumo a navegar por um cenário de complexidades sem precedentes. Superar os desafios de custos, produção e as dinâmicas de mercado exigirá das empresas uma combinação de inovação disruptiva, parcerias estratégicas e um compromisso renovado com a sustentabilidade.
O futuro do setor dependerá da sua capacidade de transformar esses problemas em oportunidades, entregando valor real aos consumidores sem comprometer a saúde financeira e ambiental.












