A guerra em Gaza empurrou as crianças palestinas para uma situação de desespero extremo, afetando profundamente sua educação, saúde e esperança no futuro. Um novo estudo da Universidade de Cambridge revela que muitas estão tão famintas, fracas e traumatizadas que mal conseguem aprender ou brincar, vivendo “como os mortos-vivos”.
O relatório, divulgado em 11 de janeiro de 2026, destaca um colapso quase total do acesso à educação na região, com anos de escolaridade perdidos devido ao conflito, à fome e ao medo constante. A pesquisa adverte para o risco de uma “geração perdida”, onde os jovens perdem a fé na paz e nos direitos humanos, sentindo-se “mortos apenas por serem de Gaza”.
A situação se agravou rapidamente, transformando a infância em Gaza em uma luta diária pela sobrevivência. O estudo, liderado pelo REAL Centre da Universidade de Cambridge, em parceria com o Centre for Lebanese Studies e a UNRWA, combina dados de agências da ONU e ONGs. A pesquisa inclui entrevistas com trabalhadores humanitários, professores e estudantes, fornecendo uma visão aprofundada da crise.
O impacto devastador na educação e na saúde das crianças de Gaza
O sistema educacional em Gaza desmoronou, e a violência, a escassez de alimentos e o trauma psicológico destruíram qualquer vestígio de uma infância normal. Crianças desmaiam de exaustão e são aconselhadas a não brincar para economizar energia, enquanto famílias sobrevivem com pouco mais de uma tigela de lentilhas por dia.
A diretora do REAL Centre, Professora Pauline Rose, afirmou que a situação é de “colapso completo” e que as vidas das crianças estão à beira de uma ruptura total.
Dados da ONU, até 1º de outubro de 2025, indicam que 18.069 estudantes e 780 funcionários da educação foram mortos em Gaza, com outros 26.391 estudantes e 3.211 professores feridos. A Save the Children estima que, durante os combates, 15 crianças sofreram lesões que alteram suas vidas diariamente.
Muitos pais questionam a relevância da educação quando a ameaça da fome e da morte é iminente.
A perda de esperança e o risco de uma geração perdida
Um dos achados mais preocupantes do relatório é o dano à esperança e à confiança dos jovens na comunidade global. Testemunhas relataram aos pesquisadores que as crianças estão cada vez mais irritadas e perdendo a fé em princípios como a paz e os direitos humanos.
Segundo um membro de uma organização internacional, “os estudantes estão questionando a realidade desses direitos. Eles sentem que são mortos apenas por serem de Gaza”.
Estima-se que os fechamentos repetidos de escolas desde 2020, inicialmente devido à COVID-19 e depois à guerra, custaram às crianças de Gaza o equivalente a cinco anos de educação. Embora programas de ensino temporário e à distância tenham sido implementados, a violência contínua, as instalações danificadas e a escassez de recursos limitam sua eficácia.
A combinação de trauma e inanição, conforme estudos estabelecidos, mina a capacidade de aprendizado. A OCHA tem documentado continuamente a crise humanitária na região.
A crise em Gaza exige uma intervenção internacional urgente, especialmente no apoio à educação, independentemente da continuidade do cessar-fogo atual. Sem ajuda imediata, a região enfrenta a trágica realidade de uma geração inteira de crianças privadas de seu direito à infância, à educação e a um futuro digno.
A comunidade global não pode ignorar o desespero expresso por esses jovens.











