As ações da MicroStrategy (MSTR) registraram um salto de 5% nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, impulsionadas pela notícia de que a MSCI não excluirá, “por enquanto”, as empresas com grandes reservas de ativos digitais (DATs) de seus índices. A decisão da provedora global de índices representa um alívio significativo para empresas como a MicroStrategy, cuja estratégia de tesouraria é fortemente vinculada ao Bitcoin, e evita um potencial desinvestimento bilionário por parte de fundos passivos.
Por meses, a comunidade financeira e o mercado de criptoativos estiveram em suspense diante da proposta da MSCI de reclassificar companhias com 50% ou mais de seus ativos em criptomoedas como fundos de investimento, tornando-as inelegíveis para inclusão em seus benchmarks globais. Essa possível exclusão gerou preocupações com a estabilidade do mercado, especialmente para companhias com alta exposição ao Bitcoin.
A reviravolta da MSCI, conforme noticiado por veículos como The Block, elimina um “overhang” de incerteza que pesava sobre o setor, prevenindo uma onda de vendas forçadas que poderia ter desestabilizado não apenas as ações das empresas afetadas, mas também os próprios ativos digitais subjacentes.
O impacto da decisão da MSCI nos ativos digitais
A decisão da MSCI de manter o status quo para as DATCOs (Digital Asset Treasury Companies) é um marco para a legitimação dos ativos digitais nos mercados financeiros tradicionais. A proposta original, lançada em outubro de 2025, visava reclassificar empresas com mais de 50% de seus ativos em criptomoedas, argumentando que elas se assemelhavam mais a fundos de investimento do que a empresas operacionais, uma distinção crucial para os critérios de inclusão em índices.
Analistas do JPMorgan haviam estimado que apenas a MicroStrategy poderia enfrentar uma saída de US$ 2,8 bilhões se fosse removida dos índices da MSCI, com projeções mais amplas de vendas forçadas que poderiam atingir até US$ 15 bilhões em todo o setor. A manutenção da elegibilidade, portanto, evita essa pressão de venda e assegura que fundos passivos, que replicam esses índices, continuem a deter as ações de empresas como a MicroStrategy, sustentando a demanda e a liquidez no mercado.
A MSCI justificou o adiamento da exclusão pela necessidade de mais pesquisas e consultas com participantes do mercado, reconhecendo a complexidade em distinguir entre empresas de investimento e aquelas que detêm ativos digitais como parte de suas operações principais. A provedora planeja lançar uma consulta mais ampla sobre o tratamento de empresas não operacionais.
MicroStrategy e o futuro da integração cripto
A MicroStrategy, sob a liderança de Michael Saylor, tornou-se sinônimo de uma estratégia corporativa arrojada, acumulando vastas quantidades de Bitcoin em sua tesouraria. Essa abordagem, embora tenha gerado volatilidade nas ações da empresa, também a posicionou como um proxy negociável para o Bitcoin no mercado de ações tradicional.
A própria MicroStrategy se manifestou veementemente contra a proposta da MSCI, argumentando que a empresa é um negócio operacional que utiliza ativamente o Bitcoin para gerar retornos aos acionistas, e não um fundo de investimento passivo. A companhia criticou o limiar de 50% como arbitrário e discriminatório, e alertou que a exclusão poderia sufocar a inovação no setor de ativos digitais.
A decisão da MSCI, embora temporária, valida a estratégia da MicroStrategy e oferece um respiro crucial, permitindo que a empresa e outras DATCOs continuem a ser parte integrante dos benchmarks globais. O episódio sublinha a tensão crescente entre as regras tradicionais de construção de índices e a estrutura em evolução dos negócios centrados em cripto. O mercado, agora, aguarda os desdobramentos da consulta mais ampla da MSCI, que definirá como os ativos digitais serão tratados no longo prazo dentro das finanças globais.











