Em um cenário de crescente digitalização financeira, uma declaração do CEO do Bank of America, Brian Moynihan, ressoa com força no mercado. Ele alertou que até US$6 trilhões em <strong>depósitos bancários poderiam migrar para stablecoins se esses ativos digitais forem autorizados a pagar juros. Este aviso, noticiado por veículos como o The Block, sublinha uma preocupação latente sobre o futuro do sistema financeiro tradicional diante da inovação cripto.

A projeção de Moynihan não é trivial. Representa uma fatia considerável dos aproximadamente US$18,7 trilhões em depósitos totais nos bancos comerciais dos EUA, conforme dados de dezembro de 2025. Tal deslocamento de capital teria implicações profundas, desde a capacidade de empréstimo das instituições financeiras até os custos de financiamento em toda a economia norte-americana.

O cerne da questão reside na regulamentação das stablecoins. Atualmente, o debate se intensifica no Congresso dos EUA, com um projeto de lei do Comitê Bancário do Senado buscando restringir os rendimentos desses ativos digitais. O objetivo é manter as stablecoins focadas em pagamentos, evitando que se tornem alternativas diretas aos depósitos bancários remunerados.

<h2>A batalha pelos depósitos: Bancos versus stablecoins

A preocupação dos bancos é compreensível. Stablecoins, criptomoedas atreladas a ativos como o dólar, oferecem liquidez e agilidade, características atraentes para investidores e usuários em busca de eficiência nas transações. A possibilidade de essas moedas digitais oferecerem rendimentos competitivos poderia catalisar uma fuga de depósitos significativa, impactando diretamente a base de capital dos bancos tradicionais.

Enquanto Moynihan expressa cautela, ele também indica que o Bank of America se adaptaria a este novo cenário, inclusive considerando o lançamento de sua própria stablecoin, caso a regulamentação permita. Essa postura reflete uma dualidade no setor: a percepção do risco sistêmico, mas também o reconhecimento da inevitabilidade da inovação. Outros gigantes, como JPMorgan e Citigroup, também exploram a emissão de stablecoins, embora com abordagens variadas.

O mercado de stablecoins já demonstra um crescimento robusto. Sua capitalização global atingiu cerca de US$308 bilhões no início de 2026. Projeções indicam que esse valor pode chegar a US$500 bilhões até 2028 e, em cenários mais otimistas, até US$1 trilhão ainda em 2026, impulsionado pela adoção em pagamentos e remessas, especialmente em mercados emergentes.

<h2>Regulamentação e o futuro do dinheiro digital

A regulamentação em torno das <strong>stablecoins e depósitos bancários é um ponto crucial. A Lei GENIUS, em discussão no Congresso dos EUA, visa criar um arcabouço regulatório que defina as stablecoins como instrumentos de pagamento, proibindo-as de pagar juros diretos. No entanto, empresas de cripto argumentam que tal restrição pode ser anticompetitiva e desfavorecer as stablecoins americanas em relação a concorrentes estrangeiros ou moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), como o yuan digital da China, que planeja oferecer juros.

Para além dos EUA, a questão da <strong>regulamentação stablecoins é global. Bancos centrais ao redor do mundo, como o Banco Central do Brasil, veem as stablecoins como prioridade na discussão de ativos digitais, reconhecendo seu potencial para impactar a política monetária e a estabilidade financeira. A capacidade de as stablecoins funcionarem como reserva de valor, especialmente em economias emergentes, pode enfraquecer os canais tradicionais de transmissão da política monetária.

O debate sobre <strong>juros em stablecoins e seu <strong>impacto stablecoins bancos evidencia uma transformação em curso. A indústria financeira está em uma encruzilhada, onde a inovação dos ativos digitais desafia os modelos estabelecidos. A forma como legisladores e reguladores abordarem esta questão definirá não apenas o papel das stablecoins, mas também a resiliência e a evolução do sistema bancário e monetário global nos próximos anos.