O Irã enfrenta o mais longo e abrangente desligamento de internet de sua história, paralisando negócios e exacerbando uma crise econômica já profunda, em meio a protestos nacionais e uma repressão brutal. A interrupção, iniciada em 8 de janeiro, restringiu o acesso à informação e à economia digital global.
Este apagão digital agrava uma dor econômica já severa, marcada por uma desvalorização dramática da moeda e uma inflação crescente. As autoridades não apresentaram um cronograma claro para a restauração completa da internet, alimentando temores sobre o futuro de inúmeras empresas iranianas.
Desde o início de janeiro, o Irã tem enfrentado uma das mais abrangentes e prolongadas interrupções de internet em sua história. Esta medida, implementada em 8 de janeiro, coincidiu com uma onda de protestos nacionais, resultando em uma repressão que ativistas estimam ter causado milhares de mortes.
O custo invisível das restrições digitais
Para as empresas iranianas, a dependência de plataformas como Instagram e Telegram para publicidade e vendas era crucial. Um lojista de animais de estimação em Teerã, conforme relatado pela FastCompany em 20 de janeiro de 2026, viu seu negócio cair 90% após perder o acesso a essas redes. O governo propôs alternativas domésticas, mas a clientela não migrou para elas.
O impacto financeiro é alarmante. Estimativas oficiais, divulgadas pela agência de notícias estatal IRNA, apontam que o corte da internet custa ao Irã entre 2,8 e 4,3 milhões de dólares diariamente. Já a Associação de Negócios na Internet do Irã calculou perdas financeiras totais superiores a 400 trilhões de riais, o equivalente a cerca de 288 milhões de dólares, até 20 de janeiro de 2026, afetando empresas de todos os portes.
A estratégia governamental de desligar a internet visa impedir a organização de manifestações e limitar a circulação de informações sobre a repressão. Contudo, essa tática isola o país digitalmente, com o Irã migrando para um modelo de “governança das comunicações em estilo de quartel”, onde o acesso à informação é um privilégio estatal. Até mesmo a rede Starlink, que servia de alternativa, tem sido alvo de bloqueios pelas autoridades.
A espiral descendente da economia iraniana
Os protestos, que começaram no final de dezembro de 2025, foram inicialmente impulsionados pela deterioração das condições econômicas. O rial iraniano atingiu mínimas históricas, chegando a 1,4 milhão por dólar em 11 de janeiro de 2026, uma queda drástica em comparação com 32.000 há uma década.
A inflação descontrolada, que registrou 42,5% em dezembro de 2025 e tem projeção de 42,4% para 2026, corrói o poder de compra da população. A queda no PIB, com contração de 1,7% em 2025 e previsão de 2,8% em 2026, agrava ainda mais o cenário de fraco crescimento econômico. Sanções internacionais e a má gestão interna são fatores persistentes nessa crise.
Diante da instabilidade, muitos iranianos têm recorrido a criptomoedas como forma de proteger suas economias. O ecossistema cripto do Irã alcançou 7,78 bilhões de dólares em 2025, com um aumento notável nos saques de Bitcoin para carteiras pessoais durante os protestos, evidenciando uma busca por “âncoras de valor” em um ambiente monetário volátil.
O desligamento da internet no Irã não é apenas uma medida de segurança; é um golpe severo em uma economia já fragilizada. As empresas lutam para sobreviver, a população enfrenta o custo de vida crescente e a incerteza paira sobre a conectividade futura. Sem uma resolução para a crise política e econômica subjacente, o isolamento digital continua a ser um obstáculo monumental para a recuperação e o desenvolvimento do país, com consequências que se estenderão muito além das telas.










