Em um cenário de crescente relevância dos ativos digitais, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reafirmou a visão do ex-presidente Donald Trump de consolidar a liderança cripto dos EUA, incluindo a polêmica proposta de uma reserva estratégica de Bitcoin. Essa postura sinaliza uma abordagem pró-inovação, embora com nuances importantes sobre como essa reserva será capitalizada.

A administração Trump tem demonstrado uma mudança significativa de ceticismo para um forte entusiasmo em relação às criptomoedas, visando posicionar os Estados Unidos como a capital mundial dos ativos digitais. A nomeação de Bessent, um conhecido defensor das criptos, para o Tesouro sublinha essa intenção, prometendo um papel fundamental na formulação de políticas econômicas que integrem as moedas digitais.

Essa política se desdobra em iniciativas regulatórias e na criação de um estoque governamental de ativos digitais, que inclui o Bitcoin. A clareza regulatória e a busca pela liderança global são pilares que, segundo a equipe de Trump, impulsionarão a inovação e o crescimento econômico no país.

A estratégia da reserva e a regulamentação de stablecoins

A ideia de uma reserva estratégica de Bitcoin, semelhante às reservas de ouro ou petróleo, foi formalizada por uma ordem executiva de Trump em março de 2025. Contudo, Bessent esclareceu que o governo não comprará Bitcoin no mercado aberto para essa reserva. Em vez disso, os ativos digitais confiscados em processos criminais e civis serão utilizados para capitalizar o estoque, uma medida que gerou certa frustração na comunidade cripto.

Paralelamente, a administração Trump avançou significativamente na regulamentação de stablecoins, sancionando o “Genius Act” em julho de 2025. Esta legislação pioneira estabelece um arcabouço jurídico para a emissão e o uso de stablecoins atreladas ao dólar, exigindo que sejam lastreadas por ativos líquidos e que os emissores divulguem publicamente suas reservas. A medida busca conferir maior credibilidade e legitimidade a esses ativos, facilitando seu uso em transações cotidianas.

Implicações e desafios na corrida pela liderança

Apesar do entusiasmo, a implementação da reserva estratégica de Bitcoin tem enfrentado desafios. Patrick Witt, diretor do Conselho de Criptomoedas da Casa Branca, apontou para “disposições legais obscuras” que atrasam o processo, evidenciando a complexidade de integrar ativos digitais ao arcabouço legal existente. Além disso, a decisão de não adquirir Bitcoin no mercado aberto tem sido criticada por membros da comunidade, que esperavam um impulso maior à demanda.

Scott Bessent, por sua vez, demonstrou ser contra a criação de uma Moeda Digital de Banco Central (CBDC) nos EUA, argumentando que tal iniciativa é desnecessária em um país com sólidas alternativas de investimento. Sua visão privilegia o desenvolvimento do mercado de criptomoedas por agentes privados, alinhado à busca por inovação e liberdade financeira. A corrida pela Liderança cripto EUA não se restringe apenas ao governo federal; estados como Texas e New Hampshire também exploram suas próprias reservas de criptoativos, frequentemente por meio de ETFs.

A estratégia de Donald Trump, reforçada por Scott Bessent, visa estabelecer os EUA como um polo inquestionável no universo das criptomoedas. Embora a capitalização da reserva de Bitcoin dependa de ativos confiscados e a regulamentação de stablecoins já esteja em andamento, o caminho para a plena integração e liderança ainda envolve a superação de barreiras regulatórias e a conciliação de expectativas do mercado. Os próximos anos serão cruciais para observar como essas políticas se traduzirão em um ecossistema cripto mais robusto e inovador nos Estados Unidos.