O Bitcoin alcançou a marca de US$ 93.000 nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, enquanto os mercados globais digerem as recentes operações militares dos Estados Unidos na Venezuela. A criptomoeda demonstrou uma notável resiliência, com seu preço se mantendo firme e até mesmo registrando ganhos, apesar da escalada das tensões geopolíticas que abalaram os mercados tradicionais. Este movimento ocorre após uma operação militar dos EUA em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, levados para Nova York para julgamento.
A ação, confirmada pelo presidente Donald Trump, que declarou que os EUA governarão a Venezuela durante um período de transição, visa, segundo Washington, restaurar a infraestrutura energética do país e permitir a operação de empresas petrolíferas americanas. Este cenário de intervenção direta em uma nação com as maiores reservas de petróleo do mundo reacendeu debates sobre a estabilidade global e o futuro dos ativos de risco. Enquanto Wall Street se preparava para a reabertura com expectativas de turbulência, o mercado de criptoativos exibiu uma resposta singular.
A resiliência do Bitcoin em meio à turbulência
Apesar de um breve recuo para abaixo de US$ 90.000 imediatamente após as notícias da operação na Venezuela, o Bitcoin rapidamente se recuperou, consolidando-se acima dos US$ 91.000 e atingindo níveis próximos ou superiores a US$ 93.000. Analistas do setor de criptomoedas apresentaram visões divergentes, mas a tônica geral foi de uma surpreendente estabilidade. Michaël van de Poppe, fundador da MN Fund, expressou que não esperava “uma correção generalizada do Bitcoin com base no ataque à Venezuela”, classificando-o como um “ataque planejado e coordenado a Maduro, que já passou”.
Essa perspectiva sugere que o mercado de criptoativos, em parte, já havia precificado o evento ou o interpretou como um incidente isolado. Outros especialistas, como Tyler Hill, apontaram que a situação poderia até mesmo “trazer um pouco de verde para o mercado, pois as pessoas veem isso como um sinal de força”. A capacidade do Bitcoin de “permanecer firme” diante do “ruído geopolítico” tem reforçado a confiança dos investidores em sua posição acima de US$ 90.000, conforme Shagun Makin. Segundo informações do portal www.theblock.co, a principal criptomoeda tem mostrado uma tendência de alta, impulsionada por entradas de ETFs e um sentimento de mercado otimista.
O cenário geopolítico e os mercados tradicionais
As operações dos EUA na Venezuela, que culminaram na captura de Maduro e na intenção declarada de controlar e reconstruir o setor petrolífero venezuelano, geraram apreensão nos mercados tradicionais. Riya Sharma, produtora digital sênior do jornal indiano Economic Times, observou que a geopolítica “voltou a se impor nos mercados logo no início de 2026”, alertando para uma potencial turbulência em commodities como petróleo e metais preciosos, além de moedas e ações. Economistas, como o Dr. Amonthep Chawla do CIMB Thai Bank, alertaram que a ação militar dos EUA poderia aumentar a volatilidade e os prêmios de risco nos mercados financeiros globais.
Apesar das vastas reservas de petróleo da Venezuela, as sanções dos EUA já haviam causado perdas estimadas em US$ 226 bilhões entre 2017 e 2024, afetando drasticamente a economia do país. A expectativa é que, com a intervenção americana, as empresas petrolíferas dos EUA, como a Chevron, se beneficiem da reconstrução e do aumento da produção de petróleo venezuelano, o que já gerou um rali significativo nas ações de energia. No entanto, a incerteza geopolítica ainda paira, e a forma como o conflito se desenrolará determinará o impacto mais profundo nos preços do diesel e na inflação global.
O desempenho do Bitcoin neste contexto complexo sugere uma maturação do mercado de criptoativos, que se mostra cada vez mais descorrelacionado das reações imediatas a choques geopolíticos que afetam os ativos tradicionais. Enquanto a Venezuela se prepara para um futuro incerto sob nova gestão, e os mercados de petróleo e ações avaliam as consequências a longo prazo, o Bitcoin continua a ser observado como um potencial porto seguro digital, desafiando a lógica convencional de investimento em tempos de crise global.










