O Bank of America (BofA) elevou sua recomendação para as ações da Coinbase (COIN) de ‘Neutro’ para ‘Compra’ nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, com um preço-alvo de US$ 340. A decisão reflete uma visão otimista sobre a capacidade da plataforma de capitalizar a crescente, mas ainda incipiente, adoção de criptoativos no cenário financeiro global, mesmo após uma recente desvalorização do papel no mercado.

A atualização da perspectiva ocorre em um momento crucial, onde a Coinbase tem demonstrado uma aceleração na inovação de produtos e uma estratégia clara de diversificação. A análise do BofA aponta que, apesar de uma queda de 40% em relação aos picos de julho de 2025, a empresa está bem posicionada para o ano de 2026, impulsionada por avanços em sua oferta de serviços e um ambiente regulatório potencialmente mais favorável.

Esta análise repercutiu em diversas publicações especializadas, como a The Block, destacando a relevância do movimento no mercado de criptoativos. O otimismo do BofA não se baseia apenas na valorização do ativo, mas em uma reavaliação fundamental do papel da Coinbase na economia digital emergente.

A visão do BofA: Expansão e fundamentos sólidos

A equipe de pesquisa do Bank of America, liderada pelo analista Craig Siegenthaler, justificou a elevação da classificação citando a expansão da Coinbase para o mercado de ações, ETFs e mercados de previsão, aproximando-a do objetivo de se tornar uma ‘bolsa de tudo’. Esta diversificação amplia significativamente o mercado endereçável da empresa e cria oportunidades de venda cruzada.

Um ponto central na tese de investimento do BofA é a rede Base, a solução de segunda camada da Coinbase construída sobre Ethereum. A Base é vista como fundamental para a expansão da Coinbase em infraestrutura, com um lançamento potencial de token nativo que poderia gerar bilhões em caixa e incentivar adotantes iniciais. Além disso, o produto Coinbase Tokenize, que integra emissão, custódia, conformidade e acesso a uma vasta base de clientes, posiciona a exchange como líder na tokenização de ativos do mundo real, um ‘superciclo de tokenização’ previsto para 2026.

A avaliação também considerou a atratividade do preço da ação, que se encontrava desvalorizado, e a expectativa de ‘ventos favoráveis’ da política dos EUA sob a administração do Presidente Trump, que tem demonstrado uma postura mais amigável em relação às criptomoedas.

Adoção de criptoativos: Ainda nos ‘primeiros movimentos’

Apesar do entusiasmo com a Coinbase, o BofA mantém a perspectiva de que a adoção global de criptoativos ainda está em seus ‘primeiros movimentos’. Essa visão é compartilhada por diversos especialistas do setor, que preveem um crescimento contínuo impulsionado pela integração institucional, clareza regulatória e avanço de novas tecnologias.

Para 2026, as macrotendências do mercado incluem uma maior integração por bancos e fundos de hedge, a expansão de ETFs e ativos tokenizados, e o fortalecimento de soluções de escalabilidade de segunda camada. A regulamentação de ativos virtuais no Brasil, com entrada em vigor em fevereiro de 2026, e o avanço de discussões nos EUA, como a lei de estrutura de mercado cripto, são exemplos de como a clareza regulatória está impulsionando a confiança e a inovação.

O próprio Bank of America já começou a recomendar ativamente ETFs de Bitcoin a seus clientes, sinalizando uma mudança significativa na postura de Wall Street em relação aos criptoativos. Essa institucionalização e a diversificação de produtos como as stablecoins, que se consolidam como infraestrutura de pagamentos, são cruciais para a transição do mercado de nicho para um espaço mais amplo no sistema financeiro convencional.

A atualização do rating da Coinbase pelo Bank of America ressalta o reconhecimento do potencial de longo prazo da empresa em um mercado de criptoativos que, embora volátil, demonstra sinais claros de amadurecimento e expansão. A estratégia de diversificação da Coinbase, aliada a um cenário macroeconômico e regulatório em evolução, posiciona a exchange para continuar sendo um player chave na transformação digital das finanças.