O fundador da ZeniMax Online, Matt Firor, confirmou sua saída do estúdio após a Microsoft encerrar o aguardado ‘Project Blackbird’, um jogo que ele esperou a vida toda para criar. A decisão, parte de cortes mais amplos da gigante de tecnologia, culminou na renúncia de Firor, que deixou a empresa em julho, após o anúncio do encerramento do desenvolvimento do MMO.
Em uma mensagem franca divulgada no LinkedIn e reportada pelo gamesindustry.biz, Firor expressou seu pesar pelo cancelamento e pelas equipes impactadas. As demissões em massa na divisão Xbox da Microsoft, que afetaram cerca de 9.000 funcionários em julho de 2025, foram um fator crucial. O ‘Project Blackbird’, em desenvolvimento desde 2018, era descrito como um ‘looter shooter’ com elementos de MMORPG, similar a títulos como Destiny, e havia impressionado os executivos da Microsoft, incluindo Phil Spencer.
A saída de Firor, que co-fundou a ZeniMax Online em 2007 e liderou o sucesso de The Elder Scrolls Online (ESO), marca o fim de uma era de quase duas décadas no estúdio. A onda de cortes da Microsoft não apenas descontinuou o ‘Project Blackbird’, mas também impactou outros projetos como Perfect Dark e Everwild, gerando uma onda de protestos entre os jogadores e cancelamentos de assinaturas do Game Pass.
O adeus a um projeto de vida
A decisão de Matt Firor de deixar a ZeniMax Online Studios, uma subsidiária da ZeniMax Media e, por sua vez, da Microsoft, não foi tomada levianamente. Em sua declaração, Firor foi categórico: “Project Blackbird era o jogo que eu havia esperado toda a minha carreira para criar, e tê-lo cancelado levou à minha renúncia”. Este sentimento sublinha a profunda conexão pessoal dos desenvolvedores com suas criações e o impacto devastador que tais cancelamentos podem ter, especialmente quando se trata de um projeto de longa duração e paixão.
Apesar do sucesso contínuo de The Elder Scrolls Online, que arrecadou mais de US$ 2 bilhões, a pressão corporativa para atingir margens de lucro elevadas dentro da Xbox Gaming, combinada com a estratégia de lançar jogos no Game Pass, pode ter contribuído para a decisão de cortar projetos ambiciosos como ‘Blackbird’. O cancelamento do jogo, que era um ambicioso MMORPG com temática ‘alien noir’, deixou muitos membros da equipe, alguns com mais de 20 anos de casa, em uma situação incerta, levando alguns a formar novos estúdios independentes.
O futuro de Matt Firor e o legado de ZeniMax
Com a saída de Firor, a liderança da ZeniMax Online e de The Elder Scrolls Online passou para Jo Burba (nova chefe de estúdio), Susan Kath (produtora executiva) e Rich Lambert (diretor de jogo). Firor expressou confiança de que o estúdio e o ESO estão “em ótimas mãos” sob a nova direção.
Quanto ao seu próprio futuro, Matt Firor revelou que ainda não definiu seus próximos passos, mas não está completamente inativo. Ele tem atuado como conselheiro para alguns projetos e startups, além de ter feito investimentos em pequenas equipes que, segundo ele, “desempenharão um grande papel na mudança da indústria no futuro”. Embora não planeje abrir um novo estúdio no momento, sua experiência e visão continuarão a influenciar o cenário dos jogos, mesmo que de forma mais indireta.
A saga do ‘Project Blackbird’ e a saída de Matt Firor servem como um lembrete das complexidades e desafios inerentes à indústria de jogos, especialmente em um cenário de consolidação e reestruturações corporativas. O impacto dessas decisões se estende para além dos balanços financeiros, afetando a criatividade, a moral das equipes e a expectativa dos jogadores por novos mundos a explorar.









