O final de 2022 trouxe um cenário econômico complexo, marcado por tensões geopolíticas entre EUA e Venezuela, impasses no acordo UE-Mercosul, e a volatilidade de câmbio e bolsa. Em 22 de dezembro, análises da agenda econômica, incluindo as acompanhadas por veículos como GZH, destacavam a intrínseca ligação entre eventos internacionais e o desempenho do dólar e do Ibovespa.

Este período foi caracterizado por uma persistente inflação global, que levou bancos centrais ao redor do mundo a adotarem políticas monetárias mais restritivas. A busca por estabilidade de preços, somada às incertezas geopolíticas, moldou as expectativas de investidores e consumidores, influenciando diretamente o fluxo de capitais e as decisões de investimento. O Brasil, em particular, navegava pela transição política, com o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva preparando-se para assumir e sinalizando as primeiras diretrizes econômicas, o que adicionava uma camada extra de complexidade ao cenário econômico doméstico.

A percepção de risco e a busca por ativos mais seguros se intensificaram, com impactos diretos sobre mercados emergentes. A força do dólar, por exemplo, não era apenas um reflexo da política monetária americana, mas também um termômetro da aversão global ao risco. Em meio a esse ambiente, a observação atenta dos desdobramentos internacionais se mostrava crucial para compreender as dinâmicas dos mercados locais.

Geopolítica e comércio: os reflexos de EUA-Venezuela e UE-Mercosul

As relações entre Estados Unidos e Venezuela, em dezembro de 2022, continuavam a ser um ponto de tensão, com a política de sanções americanas sobre o setor petrolífero venezuelano em foco. Embora houvesse movimentos pontuais para flexibilizar algumas restrições em troca de avanços democráticos, o impasse persistia, impactando a oferta global de petróleo e mantendo a volatilidade dos preços da commodity. Segundo um estudo do Council on Foreign Relations sobre a política externa dos EUA para a Venezuela em 2022, a busca por uma solução política e econômica na Venezuela era complexa e multifacetada, com reflexos que se estendiam para além das Américas.

Paralelamente, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul seguia em um longo e frustrante processo de ratificação. As preocupações ambientais europeias, especialmente relacionadas ao desmatamento na Amazônia, e as resistências de setores agrícolas em ambos os blocos, freavam o avanço do tratado. Este cenário de negociações arrastadas, conforme analisado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em relatórios de 2022, refletia uma tendência global de protecionismo e de reavaliação das cadeias de suprimentos, gerando incertezas para as perspectivas de crescimento do comércio internacional e para os países envolvidos.

Dólar e Ibovespa: a volatilidade do mercado brasileiro

No Brasil, o desempenho do dólar e do Ibovespa em dezembro de 2022 foi fortemente influenciado tanto pelos fatores globais quanto pelas expectativas domésticas. A valorização global do dólar, impulsionada pela política de aperto monetário do Federal Reserve e pela fuga de capitais de mercados de maior risco, exerceu pressão sobre o real. Contudo, a proximidade da posse do novo governo e as discussões sobre a âncora fiscal trouxeram uma volatilidade adicional, com o mercado reagindo a cada declaração e nomeação ministerial.

O Ibovespa, por sua vez, sentiu o peso das incertezas fiscais e da perspectiva de juros elevados por mais tempo. Empresas ligadas ao consumo doméstico e setores mais sensíveis a juros sofreram maior impacto, enquanto commodities ainda ofereciam algum suporte. Notícias e análises de mercado da Reuters sobre o Ibovespa em dezembro de 2022 indicavam que o índice oscilava entre o otimismo com a transição de governo e o receio com a sustentabilidade das contas públicas. A taxa Selic, mantida em patamares elevados pelo Banco Central do Brasil, visava conter a inflação, mas também impactava o custo do capital e o crescimento econômico, delineando um cenário econômico desafiador para o próximo ano.

O cenário econômico de final de 2022, com suas complexas interconexões entre geopolítica, comércio e mercados financeiros, preparou o terreno para um 2023 repleto de desafios. A capacidade de navegar pelas tensões internacionais, de destravar acordos comerciais e de implementar políticas fiscais críveis será determinante para a estabilidade e o crescimento. A vigilância sobre os desdobramentos globais e a adaptação às novas realidades se manterão como pilares para investidores e formuladores de políticas.