Autoridades sul-coreanas desmantelaram um complexo esquema internacional de lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas, que movimentou cerca de 101,7 milhões de dólares (aproximadamente 150 bilhões de wons). A operação, reportada em 19 de janeiro de 2026, resultou na detenção de três cidadãos chineses, evidenciando a crescente sofisticação do crime financeiro digital e a vigilância do país.
Este caso sublinha a persistente ameaça que a lavagem de dinheiro cripto representa para a integridade dos sistemas financeiros globais. O Serviço de Alfândega da Coreia do Sul (KCS) revelou que o esquema operou de setembro de 2021 a junho de 2025, utilizando plataformas digitais para obscurecer a origem dos fundos ilícitos.
A Coreia do Sul tem intensificado seus esforços para combater a criminalidade no setor de ativos digitais, que tem visto um aumento significativo nos últimos anos. A detecção desta rede internacional ocorre em um momento crucial, enquanto o país busca equilibrar a inovação tecnológica com a segurança financeira.
A engenharia por trás do esquema de lavagem cripto
A rede criminosa, composta por cidadãos chineses, explorava contas de criptomoedas tanto domésticas quanto internacionais para realizar a lavagem dos fundos. Os criminosos recebiam depósitos via plataformas como WeChat Pay e Alipay, comprando ativos virtuais em diversos países para evitar a detecção pelas autoridades financeiras.
Esses ativos eram, então, transferidos para carteiras digitais na Coreia do Sul e convertidos em won coreano. Para dar uma fachada de legalidade, os fundos eram disfarçados como despesas legítimas, incluindo pagamentos por cirurgias estéticas para estrangeiros, uma tática engenhosa para ocultar a origem ilícita.
A complexidade da operação demonstra a adaptabilidade dos criminosos em explorar lacunas regulatórias e a natureza transfronteiriça das transações de criptomoedas. Este caso, embora notável pelo valor, não é isolado, refletindo um padrão de atividades ilegais que desafiam as autoridades.
Resposta regulatória e o futuro da segurança cripto
Em resposta ao aumento dos crimes relacionados a criptomoedas, a Coreia do Sul tem reforçado ativamente a supervisão das transações. Notavelmente, o país está intensificando as verificações sobre transferências de criptomoedas abaixo de 1 milhão de wons (cerca de 680 dólares), uma medida que entrará em vigor no primeiro semestre de 2026 para fechar brechas na verificação de identidade.
Em 2025, o país registrou um recorde de 36.684 transações suspeitas de criptomoedas, um indicativo claro do volume de atividades ilícitas e do compromisso das autoridades em aumentar a segurança no setor. Além disso, a Coreia do Sul está promovendo sua unidade temporária de combate a crimes com criptomoedas para uma agência permanente, fortalecendo a capacidade de investigação.
Este cenário de vigilância crescente contrasta, em parte, com a recente decisão da Coreia do Sul de encerrar uma proibição de nove anos sobre investimentos corporativos em criptomoedas, permitindo que empresas listadas invistam em ativos digitais. Essa dualidade mostra um mercado em amadurecimento, onde a inovação e o crescimento coexistem com a necessidade premente de segurança.
O desmantelamento deste esquema de lavagem de dinheiro cripto de US$ 101,7 milhões é um marco na luta da Coreia do Sul contra o crime financeiro digital. Ele ressalta a importância da colaboração internacional e da contínua adaptação das estruturas regulatórias para enfrentar os desafios de um ecossistema de ativos virtuais em constante evolução. À medida que o mercado cripto amadurece, a linha entre a inovação e a ilegalidade exige uma vigilância cada vez mais apurada.












