continua depois da publicidade

Recentemente, os Estados Unidos afirmaram que estão expandindo sua análise sobre ramsomwares, softwares que bloqueiam as atividades de uma empresa por meio da criptografia. Seria uma resposta ao ataque recente dos hackers que atacaram o sistema de oleodutos da Colonial Pipeline, a maior rede de dutos do país, prejudicando o abastecimento de diesel, gasolina e querosene de aviação da costa leste dos EUA.

Surgiram muitas notícias sobre os ciber-criminosos terem pedido como resgate 75 BTC (cerca de US $ 5 milhões na época) porque seria “impossível de rastrear”. Menos de um mês depois, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou que havia recuperado 63,7 Bitcoins, conseguindo identificar os clusters da transação na exchange Binance e no mercado de darknet Hydra,

Embora não tenha ficado claro como a agência americana transferiu de volta a maior parte do valor pago aos hackers, o caso reacendeu o debate sobre criptomoedas serem “dinheiro de hacker”. De fato, esse é um dos  mitos comuns sobre a criptografia que ainda persistem. Por isso, vamos analisar (e explicar) os que seriam o Top 10 dessas ideias parcial ou totalmente falsas.

1. Criptomoedas substituem a moeda fiduciária

Houve um tempo em que se pensava que a TV mataria o rádio e, em outro momento, previa-se que o dólar americano substituiria o ouro. Atualmente, criptomoedas são consideradas um substituto para o dinheiro fiduciário (papel-moeda). Até hoje, nada disso aconteceu totalmente.

Pagar por bens com criptomoedas já é uma experiência possível. Já existem cartões de criptomoedas que permitem comprar em lojas físicas ou mesmo sacar diretamente em um caixa eletrônico na moeda corrente.

No entanto, muitas pessoas em todo o mundo continuam a depender do papel-moeda tradicional. O Brasil é um bom exemplo de forte dependência de dinheiro. No ano passado, o Banco Central publicou um relatório mostrando que quase metade da força de trabalho do país continua sendo paga em dinheiro. Isso não é tudo. Uma pesquisa adicional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas apontou que 60% das empresas locais não possuem sistema que permita pagamentos com cartão.

2. Criptomoedas são anônimas e, por isso, não podem ser rastreadas

Bitcoin é frequentemente descrito como “anônimo”, pois é possível mover fundos sem fornecer nenhuma informação pessoal. Mas isso não é totalmente verdade. É totalmente possível seguir o caminho das criptomoedas.

Lembra que cada bloco da cadeia é criptografado de maneira tal que o bloco seguinte contenha informações do anterior. Imagine que uma pessoa X quer mandar bitcoins para pessoa Y. O bloco da pessoa X contém informações da pessoa que transferiu bitcoins para ela e o bloco da pessoa Y terá informações do bloco de X.

O melhor exemplo é pensar no bitcoin como um “pseudônimo”. Cada transação é registrada no blockchain com um endereço de carteira. Se esse endereço estiver vinculado à sua identidade real, você pode ser exposto!

Além disso, existem softwares sofisticados usados ​​por entidades governamentais e financeiras para rastrear identidades e que fornecem análises forenses do uso de blockchain para atividades ilegais.

A rede da ethereum é fiscalizada pelos próprios integrantes por meio do site ethereum scam, que possibilita consultar as transações, quem possui e quantas moedas cada pessoa tem.

Monero e Zcash, por exemplo, são consideradas as melhores moedas no quesito privacidade por oferecerem maior “anonimato” aos seus detentores. No caso do Monero, as transações são divididas em valores aleatórios e misturados entre endereços furtivos, impossibilitando o rastreamento da origem real.

3. Criptomoedas não têm “valor intrínseco”

“A ideia de que o Bitcoin tem um enorme valor intrínseco é apenas uma piada, na minha opinião”, disse Warren Buffett, um dos investidores mais influentes do mundo. E ele não está errado.

A questão é: as moedas fiduciárias têm “valor intrínseco”? Quase nada no mundo do mercado financeiro tem. O valor da moeda fiduciária, emitida pelas nações, depende em grande parte do apoio estabelecido pelos governos.

O bitcoin, ao contrário do dólar ou do euro, tem uma oferta limitada, o que para muitos é um ponto negativo, pois não pode ser facilmente manipulado.

Será que moedas digitais realmente se encaixam nos atributos do dinheiro? Vejamos:

  • Aceitabilidade: o dinheiro precisa ser aceito pela maioria das pessoas. Graças a soluções como o cartão Crypterium, é possível gastar criptomoedas como se fosse dinheiro corrente em todo o mundo.
  • Escassez: para que uma moeda tenha valor, ela deve ser limitada. Apenas 21 milhões de Bitcoins serão minerados, o que significa que o fornecimento é realmente limitado.
  • Intercambiável: você pode negociar moedas digitais umas com as outras, bem como com o dólar americano, o euro, a libra esterlina etc.
  • Capacidade de transferência: a tecnologia blockchain torna as criptomoedas a maneira mais fácil, rápida e econômica de enviar e receber dinheiro internacionalmente.
  • Durabilidade: as criptomoedas são armazenadas em redes descentralizadas, o que garante longevidade enquanto essas redes permanecerem ativas.
  • Divisibilidade: se não tiver dinheiro para comprar uma unidade, você pode comprar frações de criptomoedas. Por exemplo, você pode adquirir 0,001 bitcoin.

4. Criptomoedas não são tributáveis

Embora alguns países como Liechtenstein, Holanda e Coreia do Sul não cobrem impostos sobre criptomoedas, a maioria está de olho quanto seus cidadãos possuem.

A tributação sobre criptomoedas varia dependendo de como os países percebem ativos digitais. Por exemplo, no Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, é tributado como ganho de capital. Na Alemanha, por outro lado, a tributação dependerá se você está comprando ou vendendo.

No Brasil, a declaração do imposto de renda em 2021 veio com novas regras para as pessoas físicas. A Receita Federal do Brasil anunciou que é obrigatória a declaração quando o valor de aquisição dos ativos, em cada categoria, for superior a R$ 1 mil. Quando se trata da venda de criptomoedas, o lucro é tributável se tiver ultrapassado R$ 35 mil.

5. Criptomoedas são “coisas de criminosos”

Na década de 1970, o Cartel de Medellín, um dos maiores grupos de narcotraficantes da história, estava ganhando US$ 60 milhões em lucros com drogas por dia. Isso torna o dólar uma moeda ilegal? Atualmente é possível fazer transações na deep web usando cripto para comprar armas ou drogas.

Só que o  simples fato de os criminosos usarem uma determinada moeda não a torna ilegal. É verdade que a criptografia pode ser usado em transações ilegais. Por exemplo, um estudo realizado na Austrália mostrou que 46% das transações de bitcoin estavam relacionadas com atividades ilegais. Mas isso não significa que seja usado apenas para negócios ilegais. Qualquer outra moeda também pode ser usada por criminosos que sabidamente preferem notas de papel, pois elas não deixam vestígios da transação.

Um relatório recente do Escritório de Drogas e Crime das Nações Unidas (UNODC), usando dados da Chainalysis, mostrou que a maioria da lavagem de dinheiro ainda depende fortemente do dólar americano. De acordo com o  levantamento, para cada US$ 1 gasto em BTC na deep web, US$ 800 em dólares são lavados da maneira antiga.

6. Criptomoedas podem ser “encerradas” pelo governo

Uma vez que as criptomoedas são hospedadas em redes descentralizadas, não há uma pessoa específica para “derrubar”. A única maneira de isso acontecer é se toda a infraestrutura da Internet fosse desligada. Embora alguns países tenham feito ações para restringir a mineração em seus territórios como Turquia e China, nenhum conseguiu impedir que a criptografia seja gerada ou negociada por seus cidadãos.

Afinal, essa não é uma tarefa fácil. Os criptoativos foram criados para não dependerem de um sistema central para operar. Os governos podem proibir bancos e instituições públicas de receber em moedas digitais, mas é praticamente impossível acompanhar todas as transações entre pessoas (peer to peer, ou P2P, como é chamada) e instituições privadas.

Além disso, algumas nações já falam em adotar suas próprias moedas digitais e em junho de 2021 El Salvador tornou-se o primeiro país a tornar o bitcoin “moeda legal”.

7. Criptomoedas são uma “bolha”

Quando vemos um ativo cair de valor pela metade em alguns dias, o termo “bolha” é a primeira coisa que vem à mente. Mas as bolhas nem sempre são uma coisa ruim. Na verdade, bolhas têm o poder de impulsionar a adoção em massa. Exatamente como aconteceu com as pontocom nos anos 90, chamada de “bolha da internet”.

Uma vez que a bolha estoura, isso ajuda o mercado a se livrar de certos players, especialmente aqueles sem grandes propostas de valor. O mercado financeiro acabou se acomodando e, hoje em dia, as que fazem parte da chamada big tech (Facebook, Amazon, Google e Apple) estão entre as empresas mais valiosas do mundo.

O mercado de criptografia experimentou uma bolha especulativa, mas também está se recuperando de forma promissora do chamado inverno de criptografia.

8. Criptomoedas são blockchain

Esse é uma dúvida comum. Não vamos colocar tudo no mesmo “saco”. Como o bitcoin é o primeiro e mais famoso exemplo de criptomoeda, a associação é frequente.

Blockchain é uma tecnologia específica para armazenamento de informações (blocos de dados). Já criptomoedas são uma das formas mais populares de usar a tecnologia Blockchain.

Pense da seguinte forma: o bitcoin é um trem, então, o blockchain são como os trilhos do trem. Como já foi mencionado, o blockchain permite que as informações sejam armazenadas em um banco de dados descentralizado.

A criptomoeda é uma recompensa que o blockchain oferece aos mineradores pelo desenvolvimento da rede. Até o momento, existem mais de 10.000 criptomoedas disponíveis e há um blockchain por trás de cada uma delas.

Dito isso, podemos concluir que a blockchain pode existir em outros contextos além da criptografia; no entanto, a criptografia não pode existir fora de um blockchain.

9. Criptomoedas são para quem entende de tecnologia

Bitcoin, blockchain, endereço de carteira, taxas de hash, hard wallet, paper wallet… Entender esse e outros termos, muitas vezes em inglês, podem ser um desafio para quem deseja entrar no mercado cripto. Felizmente, diferentes empresas estão diminuindo as barreiras mais comuns, oferecendo serviços que permitem fazer investimentos em moedas digitais de maneira segura, como se fosse qualquer outro ativo.

Hoje em dia você não é preciso ser um “técnico de TI” para usar criptomoedas. Algumas criptomoedas já permitem que tudo seja feito pelo aplicativo próprio. Com um pouco de pesquisa é possível identificar vários sites confiáveis já permitem qualquer pessoa armazenar, enviar, receber, comprar, sacar, trocar e gastar ativos digitais com a mesma facilidade que o dinheiro.

Além disso, empresas de finanças como Paypal e alguns cartões de crédito também estão trabalhando em novas opções para aumentar a base de usuários de cripto.

10. Criptomoedas não são “verdes”

Esse é um argumento cada vez mais comum dos críticos das criptomoedas. De fato, minerar Bitcoin consome muita energia. Mas consomem tanto quanto as infraestruturas por trás das moedas fiduciárias.

Desde a máquina que imprime o dinheiro ao sistema de segurança de um Banco Central, a quantidade de energia necessária para manter um papel-moeda é, sem dúvida, maior do que a conta de energia do Bitcoin. Vale lembrar que nem todos os tokens são produzidos da mesma maneira, pelo processo de mineração que tem alto consumo de eletricidade.

Sem falar nas moedas digitais lançadas mais recentemente que possuem uma preocupação ecológica, como CHIA e nos investimentos das mineradoras de bitcoin para torná-las mais “verdes”.

Compartilhar.
continua depois da publicidade

Deixe seu comentário!