A Argentina em 2025 marcou um período decisivo para a economia sob Javier Milei, com o governo implementando profundas reformas para combater a inflação e buscar a estabilização fiscal. O ano foi caracterizado por uma montanha-russa de indicadores, desde a desaceleração da alta de preços até o debate sobre a dolarização, moldando um cenário de expectativas e incertezas.

Após um início de mandato turbulento, as políticas de choque fiscal e monetário de Milei consolidaram-se em 2025, buscando reverter décadas de desequilíbrio. O foco na austeridade e na desregulamentação visava criar um ambiente mais favorável ao investimento, mas gerou impactos significativos na sociedade. Analistas observavam atentamente se o país conseguiria sustentar a trajetória de ajustes sem comprometer ainda mais o tecido social.

Os acontecimentos econômicos da Argentina em 2025 foram cruciais para testar a resiliência das políticas ultraliberais. O governo enfrentou o desafio de equilibrar a necessidade de estabilizar a macroeconomia com a urgência de mitigar as consequências sociais de um ajuste tão drástico, um ponto de inflexão para o futuro do modelo econômico argentino.

Desafios fiscais e a desaceleração da inflação em 2025

O ano de 2025 foi fundamental para a consolidação do superávit fiscal argentino, uma das bandeiras centrais da administração Milei. O Ministério da Economia argentino confirmou, em seu relatório anual, a manutenção de um superávit primário pelo segundo ano consecutivo, resultado de cortes drásticos nos gastos públicos e subsídios, conforme divulgado em dados oficiais do governo. Essa conquista, embora celebrada, não veio sem custos. A redução de programas sociais e de investimentos em infraestrutura gerou debates acalorados sobre o impacto na qualidade de vida da população.

No front da inflação, a Argentina testemunhou uma desaceleração gradual, mas persistente, ao longo de 2025. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), a taxa anual de inflação encerrou o ano em cerca de 85%, uma queda significativa em relação aos picos observados no final de 2023 e início de 2024. Essa redução foi atribuída à rigorosa política monetária do Banco Central e à estabilização cambial. No entanto, o poder de compra dos salários permaneceu um ponto crítico, com muitos setores da população lutando para acompanhar o ritmo dos preços.

O debate sobre a dolarização e o cenário de investimentos

A proposta de dolarização da economia argentina, uma das promessas de campanha de Milei, continuou a ser um tema central em 2025, embora sem uma implementação definitiva. O Banco Central da República Argentina (BCRA) manteve uma política de acúmulo de reservas, considerada por economistas como um passo preparatório, mas a dolarização formal enfrentou resistências políticas e técnicas. Segundo análises do Fundo Monetário Internacional (FMI), a viabilidade da medida dependia de condições macroeconômicas ainda mais robustas.

No que tange ao investimento externo, 2025 apresentou um cenário misto. Setores como energia (com o gás de xisto de Vaca Muerta) e mineração atraíram aportes significativos, impulsionados pela desregulamentação e pela busca por maior previsibilidade jurídica. Empresas estrangeiras demonstraram interesse nas privatizações de estatais, embora o processo tenha sido mais lento do que o previsto. Por outro lado, o consumo interno e o investimento em pequenas e médias empresas sofreram com a alta taxa de juros e a retração da demanda, refletindo os desafios estruturais da economia argentina em 2025.

A Argentina de 2025, sob a liderança de Javier Milei, foi um laboratório de reformas econômicas radicais. O país conseguiu estabilizar parte de seus indicadores macroeconômicos, como a inflação e as contas fiscais, mas pagou um preço social elevado. Os próximos anos determinarão se as bases lançadas em 2025 serão suficientes para impulsionar um crescimento sustentável e inclusivo, ou se o modelo ainda precisará de ajustes para enfrentar as complexidades de uma economia em profunda transformação.