Inspirada por uma experiência pessoal com o tema, uma enfermeira brasileira está à frente de uma pesquisa promissora que explora a terapia a laser picada de serpente como um método inovador para mitigar as graves lesões pós-envenenamento. Este estudo, que ganha destaque na comunidade científica, busca oferecer uma alternativa eficaz para pacientes que sofrem com as sequelas complexas de acidentes ofídicos no Brasil. A iniciativa reflete a urgência de tratamentos adicionais, visto que o soro antiofídico, embora vital, não resolve todas as complicações teciduais.
A pesquisa, desenvolvida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), surge em um cenário onde as picadas de serpentes representam um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões rurais e tropicais. Anualmente, o Brasil registra dezenas de milhares de acidentes com serpentes venenosas, segundo dados do Ministério da Saúde. Embora o soro antiofídico seja a principal linha de defesa, ele foca na neutralização do veneno sistêmico, deixando muitas vezes sem tratamento adequado as lesões locais, como necrose, edema e dor crônica, que podem levar a amputações e incapacidade permanente.
É nesse vácuo terapêutico que a enfermeira, cuja paixão pelo tema foi “envenenada” por uma vivência próxima, enxerga o potencial da fotobiomodulação. A técnica, que utiliza luz laser de baixa intensidade, já demonstra resultados promissores em diversas áreas da medicina regenerativa e reparação tecidual, como evidenciado em estudos recentes sobre cicatrização de feridas e redução de inflamação.
O desafio das sequelas e a terapia a laser
As sequelas de picadas de serpentes são um fardo significativo para os sistemas de saúde e para a vida dos pacientes. Além da dor aguda e do inchaço, a ação citotóxica e miotóxica de certos venenos pode destruir tecidos musculares e cutâneos, culminando em necrose que exige desbridamento cirúrgico e, em casos extremos, amputação de membros. O tratamento tradicional, focado no soro, muitas vezes chega tarde ou não é suficiente para reverter esses danos locais.
A terapia a laser picada de serpente, especificamente a fotobiomodulação, atua em nível celular. A luz emitida pelo laser penetra nos tecidos, estimulando as mitocôndrias das células a produzirem mais ATP (adenosina trifosfato), a energia celular. Esse processo resulta em uma série de efeitos benéficos: aceleração da cicatrização, redução da inflamação, alívio da dor e melhoria da circulação sanguínea local. “Nosso objetivo é testar se essa tecnologia pode complementar o tratamento padrão, minimizando as lesões e acelerando a recuperação funcional dos pacientes”, explica a pesquisadora em entrevista à Folha de S.Paulo, destacando o rigor metodológico da abordagem.
Perspectivas futuras e a validação científica
A jornada para a validação da terapia a laser como um tratamento complementar para picadas de serpente é complexa, exigindo ensaios clínicos robustos e aprovação de órgãos reguladores. No entanto, a base científica para a fotobiomodulação é sólida, com crescente reconhecimento global de seu potencial terapêutico. A pesquisa brasileira se alinha a uma tendência internacional de buscar soluções inovadoras para problemas de saúde pública negligenciados.
Se os resultados dos estudos forem positivos, a integração da terapia a laser picada de serpente nos protocolos de tratamento poderia transformar a abordagem clínica, oferecendo uma nova esperança para milhares de vítimas anuais. A acessibilidade e o custo-benefício da tecnologia laser, em comparação com cirurgias complexas e longos períodos de reabilitação, também são fatores promissores que podem impulsionar sua adoção em larga escala. A pesquisa em andamento representa um passo crucial para diminuir o impacto devastador desses acidentes na saúde e na economia.












