Cientistas alcançaram um marco significativo ao recriar enzimas de cannabis que existiam há milhões de anos, desvendando como a planta desenvolveu a capacidade de produzir canabinoides como THC, CBD e CBC. Esta pesquisa, publicada no Plant Biotechnology Journal, não apenas ilumina a história evolutiva da cannabis, mas também abre caminhos para a produção biotecnológica de compostos medicinais, conforme reportado pelo www.sciencedaily.com em 16 de janeiro de 2026.
As enzimas, essenciais para a síntese de canabinoides, foram reconstruídas em laboratório, oferecendo a primeira prova experimental de como a química da cannabis se tornou mais precisa ao longo do tempo. A descoberta sugere que as versões ancestrais dessas enzimas são mais robustas e flexíveis, características que as tornam particularmente atraentes para a pesquisa farmacêutica e o desenvolvimento de novas aplicações biotecnológicas.
A compreensão da evolução dessas enzimas de cannabis antigas pode revolucionar a forma como abordamos a produção de canabinoides. Enquanto as plantas modernas dependem de enzimas altamente especializadas para cada composto, a pesquisa mostra que os ancestrais eram multitarefas, capazes de gerar múltiplos canabinoides simultaneamente. Essa flexibilidade inesperada pode ser a chave para otimizar a fabricação de canabinoides em ambientes controlados, como células de levedura.
A evolução e o potencial das enzimas de cannabis
A pesquisa da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen, na Holanda, utilizou a reconstrução de sequências ancestrais para prever a estrutura das enzimas que operavam nos primeiros ancestrais da cannabis. Essas enzimas de cannabis antigas, uma vez recriadas, demonstraram ser mais fáceis de produzir em microrganismos do que as variantes modernas. Este é um ponto crucial, pois a biotecnologia já explora a produção de canabinoides em leveduras para contornar as complexidades do cultivo da planta e as restrições legais.
A capacidade de produzir canabinoides de forma mais eficiente e controlada tem implicações vastas para a indústria farmacêutica. Um dos achados mais promissores é uma enzima ancestral que produz canabicromeno (CBC) de forma altamente específica. O CBC é reconhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, com potencial neuroprotetor e antidepressivo, mas atualmente não existem variedades de cannabis com alto teor natural desse canabinoide.
Novas fronteiras para canabinoides medicinais
A introdução dessa enzima ancestral em plantas de cannabis poderia levar ao desenvolvimento de variedades medicinais inovadoras, abrindo novas fronteiras para tratamentos. O potencial terapêutico dos canabinoides tem sido amplamente estudado, com diversas universidades e centros de pesquisa investigando suas aplicações em condições como dor crônica, epilepsia e distúrbios neurológicos.
A pesquisa sobre enzimas de cannabis antigas vai além da curiosidade evolutiva; ela oferece ferramentas práticas para a produção de canabinoides com valor medicinal. Ao entender e manipular essas enzimas, a ciência pode desvendar novos caminhos para a síntese de compostos que, de outra forma, seriam difíceis de obter em quantidades terapêuticas. Isso representa um avanço significativo para a medicina personalizada e a disponibilidade de tratamentos baseados em cannabis.
A ressurreição dessas enzimas ancestrais não é apenas uma façanha científica, mas um vislumbre do futuro da medicina canabinoide. Ela promete uma era onde a produção de compostos como THC, CBD e CBC pode ser mais sustentável, controlada e adaptada às necessidades específicas de pacientes, impulsionando a pesquisa e o desenvolvimento de terapias mais eficazes e acessíveis.









