Cientistas revelaram que incêndios florestais emitem uma quantidade de poluentes atmosféricos significativamente maior do que se acreditava, com muitas dessas emissões invisíveis transformando-se em partículas finas perigosas para a respiração. A descoberta, publicada em 7 de janeiro de 2026, destaca como a fumaça de queimadas persiste e agrava a qualidade do ar globalmente, rivalizando com a poluição humana em diversas regiões.
A pesquisa, divulgada pela American Chemical Society e publicada na ACS’ Environmental Science & Technology, aponta para um aumento de cerca de 21% nas estimativas de emissões de compostos orgânicos voláteis intermediários e semivoláteis (IVOCs e SVOCs) provenientes de incêndios florestais e queimadas controladas. Estes compostos, frequentemente subestimados em estudos anteriores, são cruciais porque se transformam facilmente em partículas finas, extremamente nocivas à saúde humana.
A compreensão aprimorada dessas emissões é vital para modelos de qualidade do ar, avaliações de risco à saúde e análises de políticas climáticas, conforme destaca Lyuyin Huang, primeira autora do estudo. Em um cenário de aumento global de eventos extremos, incluindo incêndios de grande escala, a nova contabilidade da poluição atmosférica por incêndios florestais expõe desafios ambientais e de saúde mais urgentes do que o previsto.
O papel oculto de IVOCs e SVOCs
Incêndios florestais liberam uma mistura complexa de vapor d’água, cinzas e químicos à base de carbono. Enquanto os compostos orgânicos voláteis (VOCs) têm sido o foco principal, a pesquisa liderada por Shuxiao Wang enfatiza a importância dos IVOCs e SVOCs. Estes compostos são mais propensos a formar partículas finas no ar, que podem ser inaladas profundamente nos pulmões, causando sérios problemas respiratórios e cardiovasculares.
A dificuldade em medir a vasta gama e complexidade química desses IVOCs e SVOCs levou à sua exclusão em muitas avaliações passadas. No entanto, ao integrar dados de áreas queimadas globalmente entre 1997 e 2023 com experimentos de laboratório, os cientistas conseguiram quantificar essa contribuição anteriormente negligenciada. Este avanço altera significativamente a percepção sobre a verdadeira escala da poluição por incêndios florestais.
Pontos críticos e o desafio da gestão do ar
A análise revelou que os incêndios florestais liberam uma média anual de 143 milhões de toneladas de compostos orgânicos no ar, um valor 21% superior às estimativas anteriores. Embora as fontes humanas ainda produzam mais compostos aéreos no total, as emissões de IVOCs e SVOCs de incêndios e atividades humanas são comparáveis, criando ‘pontos críticos’ de poluição.
Regiões como a Ásia Equatorial, o Norte da África e o Sudeste Asiático foram identificadas como áreas onde as emissões de incêndios se sobrepõem às da atividade humana. Nestes locais, a complexidade da poluição atmosférica exige estratégias diferenciadas e coordenadas para reduzir as emissões de ambas as fontes. A saúde pública e a sustentabilidade ambiental dependem de uma abordagem mais integrada.
Especialistas apontam que a nova compreensão da poluição por incêndios florestais deve impulsionar políticas públicas mais robustas. É fundamental que governos e comunidades invistam em prevenção de incêndios, manejo florestal sustentável e sistemas de alerta de qualidade do ar, especialmente em áreas de alto risco, como as estabelecidas pela Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo no Brasil.
A reavaliação da poluição por incêndios florestais sublinha a necessidade urgente de uma visão mais abrangente sobre as fontes de degradação da qualidade do ar. À medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, a capacidade de prever, monitorar e mitigar os impactos da fumaça de incêndios será crucial para proteger a saúde global e o meio ambiente. Este novo panorama exige esforços colaborativos e inovação contínua para enfrentar um desafio crescente.











