Dois anos após proclamar a "era do PC com IA", a Intel ajusta sua estratégia, reconhecendo que os consumidores ainda não demonstram grande entusiasmo pelas funcionalidades de inteligência artificial embarcadas nos seus computadores, segundo a Fast Company. A gigante dos chips, que em 2024 apostava em processadores Core Ultra para transformar a experiência do usuário, agora prioriza aspectos como desempenho e duração da bateria.

Na CES 2024, Michelle Johnston Holthaus, então CEO de produtos da Intel, havia enfatizado que a IA estava "fundamentalmente transformando, remodelando e reimaginando a experiência do PC". A visão era de que os processadores Core Ultra inaugurariam uma nova era, habilitando diversas capacidades de IA diretamente nos dispositivos.

Contudo, na CES deste ano, a narrativa mudou. A empresa deu mais destaque a preocupações básicas dos usuários, como a potência de processamento e a autonomia da bateria. Jim Johnson, chefe do Client Computing Group da Intel, afirmou em um evento de lançamento que, apesar de todo o entusiasmo em torno da IA, os "fundamentos ainda importam".

A desconexão com o consumidor sobre PCs com IA

David Feng, vice-presidente e gerente geral dos segmentos de clientes de PC da Intel, confirmou em entrevista à Fast Company que a mudança de ênfase foi intencional. Ele pontuou uma "desconexão" clara entre a visão de longo prazo da indústria e o interesse real do público em geral pelos PCs com IA.

Dados de mercado corroboram essa percepção. Em fevereiro de 2025, cerca de 50% dos adultos online nos EUA ainda não compreendiam a necessidade de um PC com IA, e 61% sentiam que não utilizavam IA o suficiente para justificar a compra de um novo equipamento. A maioria, mais de 60%, preferia esperar pela queda dos preços.

Enquanto os especialistas do setor projetam o futuro da tecnologia para os próximos anos, o consumidor médio ainda não vê um valor imediato ou uma necessidade premente nas capacidades de IA integradas diretamente nos computadores. Esse descompasso impulsionou a Intel a reavaliar sua abordagem de marketing e desenvolvimento.

Performance e bateria: os pilares inegociáveis do PC

A priorização de características como desempenho robusto e maior duração da bateria reflete uma demanda constante do mercado. Os consumidores buscam máquinas mais eficientes para suas tarefas diárias, seja trabalho, estudo ou entretenimento, e essas são as métricas que impactam diretamente a experiência do usuário.

Um estudo da AlixPartners de janeiro de 2025, no entanto, revelou que 54% dos consumidores estariam dispostos a pagar um prêmio por PCs com IA que realmente aprimorem sua experiência e produtividade, especialmente em atividades como compras online, e-mail, navegação web e streaming. Recursos como otimização automática de hardware e alertas preventivos de problemas são particularmente atraentes.

Ainda que a IA continue sendo um campo de inovação vital, a Intel parece ter percebido que a implementação no nível do hardware do PC precisa ser mais justificada por aplicações concretas e benefícios tangíveis que ressoem com as necessidades imediatas do público. A promessa da "era do PC com IA" pode ter sido prematura em sua execução.

A mudança de foco da Intel não significa o fim dos PCs com IA, mas sim uma recalibragem estratégica. A empresa está se adaptando à realidade do mercado, onde a utilidade prática e os fundamentos do hardware ainda prevalecem sobre as promessas futuras da inteligência artificial embarcada. O caminho para a adoção massiva de PCs com IA parece depender de uma melhor articulação dos seus benefícios para o dia a dia do consumidor, algo que, por enquanto, ainda está por vir. Outras empresas como a Dell também sinalizam uma readaptação, priorizando o que os consumidores realmente valorizam em seus produtos.