Em uma reviravolta significativa, a Larian Studios, aclamada desenvolvedora por trás do sucesso global Baldur’s Gate 3, confirmou que não empregará inteligência artificial generativa (IA) no processo de criação de arte conceitual para seu próximo RPG, Divinity. A decisão foi anunciada pelo CEO e cofundador Swen Vincke durante uma sessão de perguntas e respostas no Reddit, buscando dissipar as preocupações da comunidade e garantir a autenticidade da arte do jogo.

A controvérsia sobre o uso de IA na Larian surgiu após declarações anteriores de Vincke à Bloomberg, onde ele mencionou a exploração de ferramentas de IA no desenvolvimento de Divinity. Essas falas geraram um considerável debate e reação negativa, especialmente pela percepção de que a tecnologia poderia ser utilizada na arte conceitual, substituindo o trabalho humano.

Com essa nova postura, a Larian busca assegurar aos jogadores que toda a arte conceitual do futuro Divinity será original, criada exclusivamente por artistas humanos. O estúdio reconheceu que suas comunicações anteriores haviam gerado confusão, e a medida visa eliminar qualquer margem para dúvidas sobre a origem dos elementos visuais do jogo.

Ajuste de rota em meio à inovação

A discussão sobre a IA generativa na indústria de jogos é complexa, e a Larian Studios não está sozinha em sua exploração. Muitos estúdios buscam otimizar processos e acelerar o desenvolvimento, mas a linha entre a ferramenta de auxílio e a substituição criativa tem sido um ponto sensível. Vincke havia inicialmente esclarecido que o uso da IA era para “explorar coisas” e não para substituir artistas, destacando que a Larian mantém uma equipe robusta de artistas conceituais e continua contratando.

Apesar da decisão de afastar a IA generativa da arte conceitual de Divinity, a Larian Studios não descarta completamente a tecnologia. Vincke afirmou que a empresa continuará experimentando com IA em outros departamentos, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e refinar ideias mais rapidamente. A esperança é que isso leve a um ciclo de produção mais focado, menos desperdício e, em última instância, um jogo de maior qualidade.

Compromisso com a originalidade e a comunidade

A Larian Studios tem um histórico de entregar experiências de RPG ricas e aclamadas pela crítica, como evidenciado pelo estrondoso sucesso de Baldur’s Gate 3, que vendeu mais de 20 milhões de cópias. O novo Divinity, anunciado no The Game Awards 2025, promete ser um título de escopo ainda maior, gerando grandes expectativas.

A preocupação da comunidade com a integridade artística é um reflexo do valor atribuído ao trabalho humano na criação de mundos imersivos. A Larian reforça seu compromisso ao declarar que, se a IA generativa for utilizada para criar “ativos criativos” que cheguem ao jogo, ela será treinada exclusivamente com dados internos do estúdio, garantindo a origem e o consentimento dos criadores. Essa medida visa preservar a singularidade artística que se tornou uma marca registrada da desenvolvedora belga.