Em uma reestruturação significativa de sua divisão de metaverso, a Meta Platforms encerrou as atividades de três estúdios de jogos de realidade virtual e demitiu cerca de 10% da força de trabalho da Reality Labs. A medida, que afetou mais de mil funcionários, sinaliza uma reavaliação da ambiciosa visão da empresa para o metaverso e um redirecionamento de investimentos para dispositivos vestíveis (wearables) e inteligência artificial (IA).
Os estúdios Twisted Pixel Games, Sanzaru Games e Armature Studio, responsáveis por títulos importantes para a plataforma Quest, foram desativados, conforme reportado por veículos como a Bloomberg e confirmado por um porta-voz da Meta. A decisão se alinha a um plano de cortes mais amplos na Reality Labs, que tem acumulado perdas bilionárias desde sua criação. A divisão de realidade virtual da Meta, que concentra os esforços da companhia em hardware e software VR/AR, tem sido um dreno significativo de capital.
Desde 2020, a Reality Labs registrou prejuízos operacionais que ultrapassam os US$ 70 bilhões, com uma perda de US$ 4,4 bilhões somente no terceiro trimestre de 2025. Este cenário financeiro, somado à lenta adoção do metaverso por parte dos consumidores, pressionou a Meta a buscar um caminho mais sustentável para suas inovações de longo prazo.
O custo da ambição no metaverso
A aposta de Mark Zuckerberg no metaverso, que culminou na mudança de nome do Facebook para Meta em 2021, prometia uma revolução na interação digital. No entanto, a realidade do mercado não acompanhou o ritmo dos investimentos. Os estúdios fechados eram peças-chave na estratégia de conteúdo VR da Meta. A Sanzaru Games, adquirida em 2020, era conhecida pela série Asgard’s Wrath. A Armature Studio, comprada em 2022, foi responsável pelo port de Resident Evil 4 para VR. Já a Twisted Pixel, também adquirida em 2022, lançou Marvel’s Deadpool VR recentemente.
Além do fechamento dos estúdios, a empresa Within, desenvolvedora do popular aplicativo de fitness VR Supernatural, também cessará a produção de novos recursos e conteúdo para o aplicativo, embora o suporte ao produto existente continue. Esses movimentos refletem uma tentativa de tornar a divisão VR “mais enxuta e com um roteiro mais focado para maximizar a sustentabilidade a longo prazo”, conforme comunicado interno de Andrew Bosworth, CTO da Meta e chefe da Reality Labs.
O futuro: wearables, IA e um VR mais ‘enxuto’
A reestruturação atual da Meta, conforme noticiado pelo gamesindustry.biz, é parte de um esforço maior para realocar investimentos do metaverso para o crescimento de tecnologias vestíveis e inteligência artificial. A empresa planeja reinvestir as economias geradas pelos cortes para impulsionar o desenvolvimento de wearables ao longo de 2026. Esse pivô estratégico visa capitalizar no crescente interesse por dispositivos como os óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que integram IA e oferecem novas formas de interação.
A Meta também explora a possibilidade de focar suas iniciativas de metaverso em plataformas móveis, visando uma base de usuários maior e um crescimento mais rápido, o que pode incluir a transformação do Horizon Worlds em um aplicativo para smartphones. Embora os cortes sejam drásticos, a Meta não abandona completamente a realidade virtual, mas busca um caminho que equilibre a visão de longo prazo com as realidades financeiras e as demandas do mercado atual, onde a IA generativa emerge como um vetor de transformação mais urgente e monetizável.
Apesar da retração no metaverso como inicialmente concebido, a Meta parece apostar em uma abordagem mais pragmática. A empresa continua a desenvolver seus headsets Quest e busca atrair criadores de conteúdo de plataformas como Roblox para construir experiências para o Horizon Worlds, sinalizando uma diversificação e adaptação contínuas no competitivo cenário tecnológico. O tempo dirá se essa nova direção trará os retornos esperados e solidificará a posição da Meta na próxima fronteira da computação.






