A Strategy, anteriormente conhecida como MicroStrategy, iniciou 2026 com mais um movimento estratégico no mercado de criptoativos, reafirmando sua tese de investimento centrada no bitcoin. A empresa, liderada por Michael Saylor, adquiriu aproximadamente 1.286 bitcoins por cerca de US$ 116 milhões entre o final de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. Esta aquisição eleva o total de suas reservas para cerca de 673.783 BTC.

Este aporte ocorre em um momento crucial para o mercado, logo após a decisão da MSCI de não excluir empresas com grandes volumes de ativos digitais de seus índices globais. Tal medida traz alívio e validação para a estratégia da Strategy, que se mantém como um dos maiores detentores corporativos de bitcoin do mundo.

A postura da companhia continua a atrair olhares, solidificando seu papel como um veículo para investidores institucionais que buscam exposição indireta ao principal ativo digital. A flexibilidade do balanço patrimonial e a acumulação contínua de bitcoin permanecem como pilares da gestão de Saylor.

A estratégia de Michael Saylor e a acumulação de bitcoin

A mais recente aquisição da Strategy, com um preço médio de cerca de US$ 90.391 por bitcoin, demonstra a consistência da empresa em seu modelo de tesouraria “bitcoin-first”. Desde que adotou o bitcoin como principal ativo de reserva em 2020, a Strategy tem financiado suas compras por meio de diversas fontes, incluindo a emissão de ações ordinárias Classe A. Este método permite que a empresa continue a aumentar suas participações sem comprometer as ações preferenciais, focando no valor intrínseco de longo prazo do ativo digital.

A Strategy não se posiciona apenas como uma detentora de bitcoin, mas como uma empresa operacional de software com uma estratégia de tesouraria única, que utiliza o bitcoin como capital produtivo. Michael Saylor argumenta que o bitcoin transcendeu a margem e se tornou parte central das finanças globais, funcionando como “capital digital”. Essa visão tem influenciado outras empresas de capital aberto, como a Metaplanet, que também adotou uma estratégia de acumulação de bitcoin.

Decisão da MSCI: um alívio para o mercado cripto

Um desenvolvimento significativo que permeou as recentes movimentações da Strategy foi a decisão da MSCI de não prosseguir com a proposta de excluir empresas com substanciais holdings de ativos digitais — as chamadas Digital Asset Treasury Companies (DATCOs) — de seus índices globais de mercado investível. A proposta inicial, que visava remover empresas cujos ativos cripto excedessem 50% do total de ativos, gerou preocupações sobre uma possível venda forçada por fundos que replicam esses índices.

A reversão da MSCI, após consulta a investidores e, segundo relatos, um intenso lobby de Michael Saylor, estabiliza os fluxos de capital para empresas como a Strategy. Essa decisão é vista como um reconhecimento de que as DATCOs são negócios ativos, e não meros fundos de investimento, e sinaliza uma aceitação crescente dos ativos digitais dentro das finanças tradicionais. Para o bitcoin, isso significa uma demanda institucional contínua através do balanço patrimonial da Strategy, que se tornou um proxy para a adoção corporativa da criptomoeda. A manutenção da Strategy nos índices da MSCI evita um cenário de instabilidade e reforça a legitimidade do bitcoin como um ativo de tesouraria corporativa.

A Strategy, com sua abordagem ousada e persistente, continua a ser um player fundamental na integração do bitcoin ao cenário financeiro tradicional. A flexibilidade de sua estratégia de financiamento, combinada com a recente decisão da MSCI, posiciona a empresa para continuar influenciando o mercado de criptoativos. Com a expectativa de uma maior adoção institucional, a estratégia de Michael Saylor permanece um estudo de caso relevante sobre como ativos digitais podem remodelar as finanças corporativas no longo prazo.