Em um evento na Times Square, o ex-prefeito de Nova York, Eric Adams, anunciou em 12 de janeiro de 2026 o lançamento de seu novo token de criptomoeda, o NYC Token, prometendo “mudar o jogo” e destiná-lo a causas cívicas, como o combate ao antissemitismo e ao “antiamericanismo”, além de financiar bolsas de estudo e educação em blockchain. A iniciativa, no entanto, rapidamente se transformou em um fiasco, com o valor do ativo digital despencando drasticamente horas após sua estreia, levantando sérias questões sobre a transparência e a integridade do projeto.
O token, baseado em Solana, viu sua avaliação de mercado disparar para quase US$ 600 milhões em questão de minutos. Contudo, essa euforia inicial foi efêmera. Em poucas horas, o NYC Token entrou em queda livre, perdendo cerca de 75% a 82% de seu valor até a noite do mesmo dia, deixando um rastro de desconfiança entre os investidores e a comunidade cripto.
A rápida desvalorização desencadeou acusações de um possível “rug pull”, um esquema comum no universo das criptomoedas onde os criadores de um ativo promovem-no intensamente e, em seguida, retiram rapidamente seus próprios investimentos, deixando os investidores comuns com perdas substanciais. A firma de análise on-chain Bubblemaps identificou que uma conta ligada à criação do token retirou aproximadamente US$ 2,5 milhões em liquidez USDC do pool.
A controvérsia do “rug pull” e a defesa de Adams
Os dados da Bubblemaps indicaram que, embora cerca de US$ 1,5 milhão tenha sido posteriormente adicionado de volta à liquidez, isso ocorreu apenas após o token já ter sofrido uma queda significativa, deixando aproximadamente US$ 932 mil sem explicação. Esse movimento de liquidez no pico de valor do token foi classificado por analistas como Nicolas Vaiman, fundador da Bubblemaps, como um “rug pull” óbvio, não um rebalanceamento normal.
Em meio às crescentes acusações, Eric Adams e seu porta-voz, Todd Shapiro, negaram veementemente qualquer irregularidade. Shapiro afirmou em comunicado que Adams “não moveu fundos de investidores” e “não lucrou com o lançamento do NYC Token”. A equipe do NYC Token, por sua vez, alegou que o movimento de liquidez foi um “rebalanceamento” necessário realizado por seus parceiros, incluindo a FalconX, uma corretora de ativos digitais conhecida, para garantir a fluidez das negociações diante da alta demanda inicial.
O futuro incerto e o escrutínio das criptomoedas políticas
Apesar das negações, a falta de transparência em relação aos parceiros envolvidos no projeto e a escassez de detalhes no site do NYC Token alimentam o ceticismo. O episódio do NYC Token se assemelha a outros lançamentos controversos de criptomoedas promovidas por figuras públicas, como o token LIBRA do presidente argentino Javier Milei, que também colapsou após seu lançamento, resultando em processos por fraude.
A situação de Eric Adams, o autodenominado “prefeito Bitcoin” durante seu mandato, reflete o crescente escrutínio sobre as “memecoins” políticas e a necessidade de regulamentações mais claras no volátil mercado de criptoativos. Enquanto o token negocia a aproximadamente US$ 0,133 e não mostra sinais de recuperação significativa, a controvérsia em torno do lançamento do NYC Token serve como um lembrete vívido dos riscos inerentes e da importância da diligência devida em investimentos digitais.


