Uma equipe de cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, acaba de decodificar o genoma bovino mais completo já montado, revelando detalhes cruciais sobre o DNA Wagyu e os segredos por trás de seu lendário marmoreio. Publicada na prestigiada Nature Communications em 12 de janeiro de 2026, esta pesquisa promete revolucionar a pecuária de corte global ao aprimorar a seleção de características genéticas.
A descoberta, noticiada pelo ScienceDaily, foi liderada pelo Davies Livestock Research Centre (DLRC) da universidade, apresentando um genoma 16% mais longo que as referências anteriores. Este avanço expôs centenas de genes inéditos e variações genéticas estruturais até então ocultas. Segundo o Dr. Lloyd Low, autor sênior do estudo e pesquisador do DLRC, isso oferece uma visão muito mais precisa do projeto genético que define uma das raças de carne bovina mais valorizadas do mundo.
Este progresso não se limita à curiosidade científica; ele carrega um potencial econômico significativo para a indústria da carne. Ao detalhar a composição genética do Wagyu, os pesquisadores criaram uma ferramenta poderosa para identificar características que influenciam diretamente a qualidade e a rentabilidade, beneficiando produtores e consumidores.
Decifrando a genética da qualidade e do lucro
O genoma recém-decodificado serve como um recurso genético fundamental para identificar variantes responsáveis pelo marmoreio e outras características que impactam o lucro na pecuária. O Professor Wayne Pitchford, diretor do DLRC, destaca que a capacidade de mapear essas variações com maior precisão permitirá uma seleção animal mais eficiente.
Além de desvendar os mistérios do marmoreio, a pesquisa identificou centenas de genes desconhecidos e muito mais variantes genéticas estruturais do que os genomas de referência anteriores permitiam. Dr. Callum MacPhillamy, co-líder do estudo, ressalta que essas variantes são um recurso genético inexplorado, podendo ser a chave para algumas das características mais valorizadas do gado.
Impacto além do Wagyu e o futuro da pecuária
Os benefícios deste trabalho transcendem a raça Wagyu. A Professora Associada Cynthia Bottema, coautora do estudo, afirma que o genoma aprimorado oferece aos criadores uma ferramenta mais precisa para selecionar animais com traços desejáveis, como marmoreio, fertilidade e resistência a doenças, em diversas raças bovinas.
Este progresso ocorre em um momento de crescimento para o setor de carne bovina da Austrália, com a produção atingindo 706.296 toneladas no trimestre encerrado em junho de 2025. O valor bruto de gado abatido totalizou US$ 4,9 bilhões, e as exportações ultrapassam US$ 1 bilhão, evidenciando a relevância econômica da pesquisa.
A colaboração internacional com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foi crucial, consolidando uma parceria de pesquisa de longa data. Apesar do avanço, os pesquisadores visam montar os cromossomos restantes e construir um “pangenoma” que represente a diversidade genética completa da espécie bovina.
A decodificação do DNA Wagyu marca um divisor de águas na compreensão da genética bovina. Ela não apenas desvenda o enigma do marmoreio lendário, mas também pavimenta o caminho para uma era de pecuária de precisão, onde a seleção genética poderá otimizar a qualidade da carne, a saúde animal e a sustentabilidade da produção em escala global, garantindo um futuro mais eficiente e lucrativo para a indústria.










