A atividade leiteira na região de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, enfrenta um cenário complexo de custos elevados e flutuações de mercado, essenciais para a economia local. A Emater/RS-Ascar, com sua expertise em extensão rural, tem sido fundamental ao traçar um panorama detalhado, oferecendo suporte técnico vital aos produtores para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor.
Este panorama, continuamente atualizado pela Emater, revela as dinâmicas de um mercado que exige adaptação constante. Os produtores de leite da região lidam com a volatilidade dos preços dos insumos, especialmente a ração, e a necessidade de investimentos contínuos em tecnologia e manejo. A resiliência demonstrada pelos pecuaristas, aliada à orientação técnica, é um pilar para a manutenção da bacia leiteira gaúcha.
O Rio Grande do Sul se destaca como um dos maiores produtores de leite do Brasil, e a região Noroeste, onde Santa Rosa está inserida, contribui significativamente para essa posição. Dados do IBGE para 2022 indicam que o estado produziu mais de 4,3 bilhões de litros de leite, consolidando sua importância econômica e social no cenário nacional. Contudo, a margem de lucro apertada e a pressão por eficiência são desafios permanentes.
Os desafios econômicos da produção leiteira em Santa Rosa
A viabilidade econômica da produção de leite em Santa Rosa e arredores tem sido constantemente testada. Um dos principais gargalos reside no custo de produção, que, segundo estudos da Embrapa Gado de Leite, pode ser influenciado por fatores como o preço dos concentrados, energia elétrica e mão de obra. A variação climática, característica do sul do país, também impõe custos adicionais com alimentação suplementar e manejo sanitário, impactando diretamente a rentabilidade das propriedades.
Em 2023, a valorização do dólar frente ao real elevou o preço de insumos importados, como fertilizantes e alguns componentes da ração, apertando ainda mais as margens. Produtores precisam de estratégias robustas para mitigar esses impactos, como a diversificação das fontes de alimento para o rebanho e a busca por maior eficiência na conversão alimentar. A Emater/RS-Ascar tem trabalhado para difundir práticas que otimizem o uso dos recursos disponíveis na propriedade, como a produção de forragem de alta qualidade e o manejo rotacionado de pastagens, reduzindo a dependência de insumos externos.
Além disso, o mercado consumidor, embora robusto, apresenta suas próprias flutuações. A demanda por produtos lácteos processados, por exemplo, pode ser sensível a variações de renda da população. A capacidade de agregação de valor ao produto primário, seja através de cooperativas ou da industrialização na própria fazenda, emerge como uma estratégia promissora para fortalecer a cadeia produtiva local e garantir uma melhor remuneração ao produtor.
Inovação e o papel da Emater na sustentabilidade do setor
Diante de um panorama tão desafiador, a inovação e o suporte técnico tornam-se indispensáveis. A Emater/RS-Ascar desempenha um papel crucial ao levar conhecimento e tecnologias diretamente aos produtores rurais. Isso inclui desde a introdução de novas variedades forrageiras mais resistentes e nutritivas até a disseminação de técnicas de manejo do rebanho que visam à melhoria genética e à sanidade animal, aspectos que impactam diretamente a produtividade e a qualidade do leite.
Programas de capacitação em gestão financeira e planejamento estratégico são igualmente importantes, capacitando os produtores a tomar decisões mais informadas e a visualizar o agronegócio leiteiro como uma empresa. Em um relatório recente sobre a agricultura familiar no estado, o órgão destacou a importância da assistência técnica contínua para a resiliência dos pequenos e médios produtores, que formam a espinha dorsal da produção leiteira em Santa Rosa. A adoção de sistemas de ordenha modernos e a implementação de práticas de bem-estar animal também são pautas constantes nas visitas dos extensionistas, buscando alinhar a produção local às exigências de um mercado cada vez mais consciente.
Olhando para o futuro, a atividade leiteira na região de Santa Rosa dependerá fortemente da capacidade de adaptação e da inovação. A integração de tecnologias digitais para monitoramento do rebanho e gestão da propriedade, a busca por mercados diferenciados e a contínua qualificação dos produtores são caminhos que a Emater/RS-Ascar continuará a pavimentar. O cenário exige visão estratégica e colaboração, garantindo que o leite de Santa Rosa continue a fluir e a impulsionar a economia local com sustentabilidade e prosperidade.











