O Standard Chartered está em discussões iniciais para estabelecer uma plataforma de prime brokerage e negociação de criptomoedas, segundo relatos da Bloomberg. Esse movimento, que posicionaria o banco como um player significativo no setor de ativos digitais, demonstra a crescente ambição de instituições financeiras tradicionais em aprofundar seu envolvimento com criptoativos. A iniciativa estaria sendo desenvolvida sob a SC Ventures, o braço de capital de risco e inovação do banco, embora um cronograma de lançamento ainda não tenha sido finalizado.

Essa potencial expansão segue uma série de passos do Standard Chartered no espaço cripto. Em julho de 2025, o banco lançou serviços de negociação, permitindo que instituições e corporações negociassem as principais criptomoedas. A oferta incluía negociação spot para Bitcoin e Ether através de sua filial no Reino Unido, operando dentro de uma estrutura bancária regulamentada para remover barreiras para clientes institucionais que buscam entrar no mercado de criptoativos.

A decisão estratégica de hospedar a operação dentro da SC Ventures, fora da entidade bancária principal, pode ser uma forma de o Standard Chartered contornar os rigorosos requisitos de capital aplicados às participações diretas de bancos em ativos digitais. As regras atuais de Basileia III impõem um peso de risco de 1.250% para exposições a criptoativos como Bitcoin e Ether, uma carga significativamente maior do que a aplicada a certos investimentos de capital de risco.

Avanços e desafios no mercado institucional de cripto

O interesse do Standard Chartered em prime brokerage de criptoativos não é um evento isolado, mas parte de uma tendência mais ampla de grandes instituições financeiras que buscam expandir suas ofertas relacionadas a cripto. Bancos como Morgan Stanley e Bank of America também têm feito movimentos significativos, com o Morgan Stanley protocolando para lançar um ETF de Ether e o Bank of America aprovando ETFs de Bitcoin à vista para recomendação.

Apesar do impulso para expandir os serviços de cripto, o Standard Chartered ajustou suas perspectivas de preço de médio prazo para o Ether, citando uma fraqueza mais ampla nos mercados de ativos digitais. O banco reduziu sua previsão de preço do Ether para US$ 7.500 até o final de 2026, de uma previsão anterior de US$ 12.000, e para US$ 22.000 até o final de 2028, de US$ 25.000. No entanto, a perspectiva de longo prazo para o Ether permanece otimista, com o banco projetando que o ativo pode ultrapassar US$ 40.000 até 2030, elevando sua previsão de US$ 30.000.

O papel da SC Ventures e o futuro dos ativos digitais

A SC Ventures tem sido fundamental na estratégia de ativos digitais do Standard Chartered, com investimentos em projetos como a custodiante de cripto Zodia Custody e a plataforma de negociação institucional Zodia Markets. Essas plataformas fornecem serviços de custódia e negociação institucional, operando sob regulamentação em jurisdições-chave. A Zodia Markets, por exemplo, é uma corretora de ativos digitais de nível institucional que oferece negociação OTC (over-the-counter) e eletrônica, focada em segurança e conformidade para clientes institucionais.

Em dezembro, a SC Ventures também detalhou o trabalho em uma joint venture de ativos digitais chamada “Project37C”, descrita como uma “plataforma de financiamento e mercados leve” que ofereceria custódia, tokenização e acesso ao mercado. Essa abordagem estrutural, que busca alinhar-se com os avanços regulatórios globais, posiciona o Standard Chartered como um intermediário confiável para instituições que buscam navegar na complexidade das criptomoedas sem sacrificar a conformidade.

A incursão do Standard Chartered no prime brokerage de criptoativos reflete uma mudança fundamental na infraestrutura institucional de ativos digitais. Ao abordar as necessidades dos clientes institucionais por meio de soluções de custódia, conformidade e negociação transfronteiriça, o banco está pavimentando o caminho para uma adoção mais ampla de criptoativos no cenário financeiro tradicional. A forma como grandes bancos estruturam sua exposição e risco aos ativos digitais através de suas unidades de venture pode se tornar um modelo para a futura integração entre finanças tradicionais e descentralizadas.