A tecnologia quântica atingiu um ponto de virada crucial, comparável aos primórdios da computação clássica antes da invenção do transistor. Pesquisadores de instituições renomadas afirmam que, embora promissoras, as tecnologias quânticas ainda exigem avanços significativos em engenharia e fabricação para escalar e impactar o mundo. Este marco representa um progresso notável, mas também um lembrete dos desafios à frente.

O estudo, publicado na revista Science em 27 de janeiro de 2026, destaca a transição rápida da tecnologia quântica de experimentos de laboratório para aplicações práticas. Essa evolução é resultado de uma colaboração estreita entre universidades, agências governamentais e a indústria, modelo que impulsionou o desenvolvimento da microeletrônica no século XX.

David Awschalom, professor da Universidade de Chicago e autor principal do artigo, compara o momento atual ao surgimento do transistor. Ele enfatiza que os conceitos físicos fundamentais estão estabelecidos e sistemas funcionais existem. O desafio agora é coordenar esforços e parcerias para alcançar o potencial de escala utilitária da tecnologia, superando obstáculos de escalabilidade e arquiteturas modulares.

Avaliação do amadurecimento e desafios de escala

A pesquisa, detalhada no relatório da ScienceDaily, examinou seis plataformas de hardware quântico, incluindo qubits supercondutores e fotônicos. Para avaliar o avanço em computação, simulação, redes e sensoriamento, foram utilizados modelos de inteligência artificial de linguagem, como ChatGPT e Gemini, para estimar os Níveis de Prontidão Tecnológica (TRLs). Esses níveis medem a maturidade da tecnologia em uma escala de 1 a 9.

Os resultados mostraram que protótipos avançados já operam como sistemas completos, acessíveis via nuvem, mas com desempenho limitado. Qubits supercondutores lideraram em computação quântica, átomos neutros em simulação e qubits fotônicos em redes. Contudo, aplicações de alto impacto exigirão milhões de qubits físicos com taxas de erro muito além da capacidade atual da tecnologia.

A perspectiva histórica e o caminho a seguir

William D. Oliver, professor do MIT e coautor do estudo, alerta que avaliar a prontidão tecnológica sem contexto histórico pode ser enganoso. Ele compara os chips semicondutores dos anos 70, com alto TRL, mas capacidade limitada frente aos circuitos integrados atuais. Um alto TRL hoje não significa que o objetivo final foi atingido, nem que resta apenas engenharia.

Um TRL elevado reflete uma demonstração significativa, porém modesta, em nível de sistema. O futuro exige melhorias substanciais e escalabilidade para que a tecnologia quântica realize plenamente sua promessa. A jornada de laboratório para a utilidade global é longa, repleta de desafios de engenharia e fabricação, demandando investimentos contínuos e colaboração internacional.

A analogia com o momento transistor ressalta o otimismo e o pragmatismo necessários. Estamos em um período de intensa inovação, lançando as bases para futuras revoluções em computação, medicina e comunicação. A transição da pesquisa fundamental para a aplicação em larga escala requer esforço coordenado e clareza de que o impacto total será construído passo a passo, exigindo paciência e persistência para superar as barreiras técnicas e infraestruturais que ainda se apresentam. O futuro da tecnologia quântica, embora desafiador, promete um potencial transformador imenso, redefinindo o que é possível em múltiplas esferas da existência humana.