A gigante de custódia State Street está acelerando sua incursão no universo dos ativos digitais, lançando uma plataforma robusta e uma série de produtos tokenizados. Este movimento, acompanhado por outros grandes nomes do setor financeiro, sinaliza uma corrida estratégica para integrar dinheiro e fundos em redes blockchain, remodelando a infraestrutura global das finanças institucionais.
A iniciativa do State Street, detalhada em um relatório da Bloomberg, posiciona a empresa como uma ponte crucial entre as finanças tradicionais (TradFi) e o ecossistema digital. A aposta na tokenização não é apenas uma experimentação tecnológica, mas uma busca por soluções escaláveis que ofereçam segurança, conformidade e eficiência operacional.
Essa transformação vai além da mera digitalização, visando aprimorar liquidez e transparência, elementos vitais para o mercado de capitais. A migração de ativos para o ambiente onchain promete transações mais rápidas, custos reduzidos e maior acessibilidade a uma gama diversificada de investimentos, antes restritos a um seleto grupo, conforme detalhado em análises sobre a tokenização de ativos.
A plataforma digital do State Street e a evolução dos produtos
O State Street lançou sua Plataforma de Ativos Digitais, uma infraestrutura segura e escalável projetada para o desenvolvimento e a gestão de ativos tokenizados. A plataforma abrange gerenciamento de carteira, custódia e capacidades de caixa, preparada para suportar a criação de produtos tokenizados em diversas jurisdições e redes blockchain, tanto privadas quanto públicas permissionadas.
Entre os produtos que o banco planeja desenvolver estão fundos de mercado monetário tokenizados (MMFs), fundos negociados em bolsa (ETFs), depósitos tokenizados e stablecoins. Essas ofertas visam integrar instrumentos financeiros tradicionais na blockchain, permitindo liquidação quase instantânea e negociação contínua, o que pode otimizar significativamente a eficiência de capital.
Joerg Ambrosius, presidente de Investment Services no State Street, destacou que a empresa está “além da experimentação e em soluções práticas e escaláveis que atendem aos mais altos padrões de segurança e conformidade”. A colaboração com gestores de recursos e clientes institucionais, incluindo uma parceria recente com a Galaxy Digital para um fundo tokenizado, sublinha o compromisso com essa nova era financeira.
A corrida dos grandes bancos para o universo onchain
A iniciativa do State Street reflete uma tendência mais ampla observada entre os gigantes de Wall Street. Bancos como JPMorgan e Morgan Stanley também estão investindo pesadamente na tokenização, focando em pagamentos, depósitos e administração de fundos para operar em registros distribuídos. O JPMorgan, por exemplo, lançou o fundo de mercado monetário tokenizado MONY na rede Ethereum, com um aporte inicial de US$ 100 milhões.
Essa mudança é impulsionada pela busca por maior liquidez, redução de custos operacionais e a capacidade de realizar transações de forma mais transparente e segura, eliminando intermediários e simplificando processos burocráticos. A tecnologia blockchain, com sua natureza imutável e descentralizada, é a base para esses avanços, garantindo a integridade dos registros.
Embora a tokenização ofereça vantagens claras, como a democratização do acesso a investimentos e a otimização de operações, o setor ainda enfrenta desafios regulatórios. A insegurança jurídica sobre a classificação dos tokens e a necessidade de marcos regulatórios claros são pontos cruciais que precisam ser endereçados para que o potencial máximo dessa tecnologia seja alcançado, como discutido por especialistas em eventos do Banco Central.
A digitalização do dinheiro e dos ativos financeiros, liderada por instituições como o State Street, aponta para um futuro onde a infraestrutura financeira será intrinsecamente ligada à tecnologia blockchain. A expectativa é que, à medida que a regulamentação evolua e a confiança se consolide, a adoção da tokenização se torne um pilar fundamental para a próxima geração de mercados financeiros globais. A evolução do DREX no Brasil, por exemplo, é vista como um catalisador para destravar a tokenização no país.










