Um relatório recente da Appcharge revela que as transações diretas ao consumidor (DTC) se tornaram um sistema central de receita escalável para publishers de jogos mobile, prometendo otimizar lucros e contornar altas taxas de lojas de aplicativos. A plataforma de monetização mobile analisou mais de US$ 700 milhões em dados de transações, indicando uma mudança decisiva da experimentação para um modelo de negócio consolidado.
Essa transição marca um ponto de inflexão significativo na indústria, com a Appcharge estimando que as 200 maiores editoras de jogos mobile globalmente desperdiçam aproximadamente US$ 41 milhões por dia em taxas de lojas de aplicativos, optando por não usar pagamentos DTC. A ascensão das web stores e canais de distribuição alternativos está redefinindo as estratégias de monetização, permitindo que as empresas estabeleçam um relacionamento mais direto e lucrativo com seus jogadores.
O modelo DTC, que envolve a venda direta de produtos aos clientes sem intermediários, oferece vantagens claras, como a redução de custos e a possibilidade de fortalecer a lealdade à marca. Para os publishers de jogos, isso se traduz em maior controle sobre a receita e uma flexibilidade aprimorada nas ofertas aos consumidores.
O custo oculto das lojas de aplicativos e a ascensão das web stores
A comissão padrão de 30% cobrada por gigantes como Apple e Google nas transações dentro de aplicativos tem sido um ponto de discórdia há anos. A Appcharge destaca que as web stores oferecem a fundação DTC mais duradoura, pois operam fora do sistema de faturamento das lojas de aplicativos, protegendo os publishers de futuras mudanças nas taxas.
Mais da metade dos jogadores nos EUA que fizeram uma compra através de lojas de aplicativos para web eram novos no sistema DTC, e impressionantes 97% da receita de web stores vem de compradores recorrentes. Isso demonstra o potencial dessas plataformas para expandir a base de clientes pagantes e cultivar relacionamentos de longo prazo.
Apesar do potencial de taxas adicionais em pagamentos externos, o modelo DTC permite que os desenvolvedores retenham uma parcela muito maior de seus ganhos. Em um contexto onde a Apple defendeu seu direito de cobrar uma “taxa razoável” para garantir a segurança e privacidade do usuário, a busca por alternativas mais vantajosas se intensifica.
O sucesso da Epic Games e o futuro da monetização
Um exemplo notável dessa mudança é o sucesso da Epic Games Store em Android e iOS, que acumulou mais de 40 milhões de downloads desde seu lançamento em 2024. A Epic Games oferece aos desenvolvedores uma divisão de receita de 88/12, significativamente mais favorável do que as taxas tradicionais das lojas de aplicativos.
Maor Sason, CEO da Appcharge, afirmou que 2025 foi o ponto de virada onde pagamentos app-to-web, web stores e distribuição alternativa deixaram de ser casos isolados para se tornarem “motores de receita escaláveis e replicáveis”. Ele enfatiza que, enquanto os links de pagamento abrem a porta, as web stores “constroem a casa”, sendo tratadas pelos publishers bem-sucedidos como produtos LiveOps, continuamente otimizados e conectados ao comportamento do jogador.
Essa abordagem permite uma personalização profunda e uma otimização contínua, elementos cruciais para o engajamento do jogador. A tendência aponta para um ecossistema de monetização mais aberto e competitivo, impulsionado pela busca por maior rentabilidade e autonomia por parte dos desenvolvedores.
A consolidação das transações diretas ao consumidor como um sistema de receita escalável representa uma evolução estratégica para a indústria de jogos mobile. Publishers que adotarem e otimizarem suas web stores e canais DTC estarão mais bem posicionados para prosperar em um mercado em constante transformação, garantindo margens mais saudáveis e um relacionamento mais robusto com sua base de jogadores. A era da monetização direta está em pleno vapor, e a adaptabilidade será a chave para o sucesso.











