O mercado de criptomoedas começou o ano de 2026 com uma onda de turbulência cripto que colocou em xeque a estabilidade de alguns ativos. No dia 7 de janeiro, a Zcash (ZEC) sofreu uma queda acentuada após a renúncia em massa de sua equipe de desenvolvedores da Electric Coin Company (ECC), enquanto os fundos negociados em bolsa (ETFs) de XRP à vista registraram suas primeiras saídas líquidas desde o lançamento em novembro de 2025.
Esses eventos, ocorrendo quase simultaneamente, injetam uma dose de incerteza em um setor que busca consolidar sua recuperação após um 2025 de fortes oscilações. A comunidade cripto observa de perto as repercussões, tentando discernir se são ajustes pontuais ou sinais de desafios mais profundos no cenário.
A Zcash, uma criptomoeda focada em privacidade, viu seu preço despencar mais de 20% em poucas horas após o anúncio da saída da equipe da ECC. A decisão, descrita pelo CEO da ECC, Josh Swihart, como uma “demissão construtiva”, resultou de “conflitos de governança irreconciliáveis” com o conselho da Bootstrap, a organização sem fins lucrativos que supervisiona a ECC. Swihart afirmou que a maioria dos membros do conselho da Bootstrap se desalinhou com a missão original da Zcash.
Apesar da dramática ruptura organizacional, Swihart assegurou que o protocolo Zcash em si permanece inalterado e continua a operar de forma independente. Os desenvolvedores que deixaram a ECC já planejam fundar uma nova empresa para dar continuidade ao trabalho de construção de “dinheiro privado imparável”, mantendo a mesma equipe e missão. Contudo, a turbulência cripto gerada pelo evento levanta preocupações sobre a continuidade do desenvolvimento e a confiança dos investidores no futuro do projeto.
A primeira retração dos ETFs de XRP
Paralelamente à crise da Zcash, os ETFs de XRP à vista nos Estados Unidos enfrentaram um marco negativo. Em 7 de janeiro de 2026, esses fundos registraram suas primeiras saídas líquidas, totalizando cerca de 40 a 41 milhões de dólares. Esta foi a primeira interrupção em uma sequência de entradas que durava semanas desde o lançamento em novembro de 2025.
A maior parte dessas saídas foi observada no ETF 21Shares XRP. O movimento coincidiu com uma correção no preço do XRP, que havia caído mais de 12% de seu pico semanal perto de 2,40 dólares, sendo negociado em torno de 2,12 dólares. Analistas como Rachael Lucas, da BTC Markets, sugerem que as saídas podem ser resultado de uma realização de lucros, após o XRP ter tido um forte rali e superado Bitcoin e Ether no início do ano.
Apesar da recente retração, o cenário de longo prazo para os ETFs de XRP ainda parece robusto. Os fluxos acumulados desde o lançamento ultrapassam 1,2 bilhão a 1,65 bilhão de dólares, demonstrando uma forte demanda institucional pelo ativo. Suí Chung, CEO da CF Benchmarks, destacou em dezembro de 2025 que o histórico do XRP facilitou a atração de capital institucional.
Perspectivas e desafios no cenário cripto
Os eventos recentes com Zcash e XRP não são isolados. O mercado cripto mais amplo também viu os ETFs de Bitcoin e Ether à vista registrarem saídas significativas no mesmo período, com o Bitcoin perdendo 486 milhões de dólares e o Ether 98 milhões de dólares em um único dia. Essa turbulência cripto sugere um reajuste de risco generalizado e uma cautela crescente entre os investidores institucionais.
A análise do Itaú BBA aponta que o comportamento dos preços em janeiro será crucial para definir a direção do setor em 2026, indicando um equilíbrio frágil no mercado. Enquanto alguns analistas, como Tom Lee, da Fundstrat, projetam que o Bitcoin pode atingir entre 200 mil e 250 mil dólares até o final de 2026, impulsionado por canais de capital institucional, outros veem um ano de consolidação.
Apesar dos desafios, a demanda por tokens de privacidade como a Zcash é vista como uma tendência crescente para 2026, impulsionada pela conscientização global sobre vigilância digital. A capacidade do mercado de absorver essas turbulências cripto e a resiliência dos projetos de privacidade e dos ETFs serão determinantes para a trajetória do setor nos próximos meses. A vigilância sobre a governança e a capacidade de adaptação dos projetos será essencial para os investidores.







