Cientistas revelaram a existência de dois novos vírus em baleias-piloto e orcas no Caribe, expandindo o conhecimento sobre a diversidade viral marinha. A descoberta, publicada na revista Virology, levanta questões cruciais sobre a saúde desses cetáceos e suas implicações evolutivas, marcando a primeira detecção de circovírus na região.

A revelação de um universo viral oculto nos oceanos foi divulgada em 6 de janeiro de 2026, com base em pesquisas conduzidas por uma equipe internacional. Estes novos agentes infecciosos, até então desconhecidos, desafiam a compreensão existente sobre as interações entre hospedeiros marinhos e patógenos, ressaltando a complexidade dos ecossistemas aquáticos.

A pesquisa sugere que esses vírus podem ter uma relação ancestral com a evolução das baleias, adicionando uma camada intrigante à biologia desses gigantes marinhos. Embora o impacto exato na saúde dos animais ainda seja um mistério, a descoberta abre portas para investigações futuras sobre a ecologia viral e a conservação das espécies.

A descoberta por trás dos novos circovírus

A pesquisa que culminou na identificação desses vírus foi liderada por uma equipe internacional, incluindo cientistas da Arizona State University, Coastal Carolina University e The University of the South, entre outras instituições. O estudo, intitulado “Novel circoviruses identified in short-finned pilot whale and orca from the North Atlantic Ocean”, teve como principal autor Matthew De Koch e foi supervisionado por Arvind Varsani, virologista da ASU.

Os pesquisadores empregaram técnicas avançadas de sequenciamento genético de alto rendimento para analisar amostras de tecido arquivadas, coletadas de baleias falecidas na ilha de São Vicente, no Caribe. Essa análise permitiu a recuperação de sete genomas completos de circovírus, sendo cinco de baleias-piloto de barbatanas curtas e dois de orcas, conforme noticiado pelo ScienceDaily.

Os vírus foram classificados como duas espécies inteiramente novas: o circovírus shofin e o circovírus orcin. Ambos são distintos do único circovírus de cetáceo previamente conhecido, o circovírus de baleia-bicuda, identificado no Oceano Pacífico. Essa é a primeira vez que circovírus são detectados em cetáceos da região do Caribe, ampliando significativamente a lista de vírus que infectam vertebrados marinhos.

Implicações e mistérios na saúde marinha

A análise detalhada das proteínas da cápside viral revelou características incomuns, como alças de superfície excepcionalmente grandes. Além disso, a análise genética indicou que os circovírus encontrados em baleias e outros cetáceos formam um grupo monofilético distinto, sugerindo uma origem antiga na história evolutiva desses animais. Contudo, os autores alertam que mais dados genéticos de uma gama mais ampla de espécies são necessários para testar essa hipótese de forma robusta.

Questões importantes permanecem sem resposta, principalmente sobre como esses circovírus se espalham entre as baleias e se causam doenças. Pesquisas anteriores sobre o circovírus de baleia-bicuda sugeriram uma possível ligação com a imunossupressão, um padrão observado em mamíferos terrestres e aves. No entanto, a equipe de pesquisa enfatiza a necessidade de mais estudos para compreender a diversidade, transmissão e os efeitos desses vírus na saúde de baleias e orcas.

A descoberta desses novos vírus em baleias e orcas no Caribe sublinha a vasta e ainda inexplorada biodiversidade microbiana dos oceanos. Enquanto os cientistas continuam a desvendar esses mistérios, a atenção se volta para as potenciais implicações na saúde desses majestosos animais e na dinâmica dos ecossistemas marinhos. A pesquisa futura será crucial para entender o papel desses circovírus e desenvolver estratégias de conservação mais eficazes.