Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, apresentou uma proposta para a integração nativa da Tecnologia de Validador Distribuído (DVT) diretamente no protocolo de staking do Ethereum. A iniciativa, detalhada no fórum da comunidade ethresearch em março de 2025, visa fortalecer a segurança e a descentralização da rede, permitindo que validadores registrem múltiplas chaves independentes que operam coletivamente como uma única identidade de validador.
Essa abordagem busca resolver limitações das implementações atuais de DVT, que enfrentam desafios como configurações complexas e suscetibilidade a ameaças de computação quântica. Buterin acredita que a integração no nível do protocolo simplificaria a gestão de staking tolerante a falhas e incentivaria a participação independente, reduzindo a dependência de grandes provedores de serviço.
A concentração de poder de staking em poucas entidades é uma preocupação persistente no ecossistema Ethereum. Dados recentes indicam que os cinco principais provedores de staking controlam aproximadamente 60% do ETH em stake, o que vai de encontro aos princípios de descentralização da rede.
Aprimorando a segurança e resiliência do Ethereum
A Tecnologia de Validador Distribuído (DVT) representa uma mudança fundamental na forma como as redes blockchain gerenciam as responsabilidades de validação. Essencialmente, o DVT permite que um único validador seja operado por múltiplos nós ou partes independentes, distribuindo a chave privada por um “cluster” de máquinas. Isso elimina pontos únicos de falha, tornando o validador mais resiliente.
Com o DVT nativo, a chave do validador nunca reside completamente em uma única máquina, o que dificulta significativamente o comprometimento do sistema por atacantes e reduz os riscos de penalidades por inatividade, conhecidas como "slashing". Se um nó falhar, os outros podem continuar a operar, garantindo a integridade e o desempenho do validador.
A proposta de Buterin prevê que as propostas ou validações de blocos só seriam válidas quando um limite definido de entidades participantes fosse atingido. Validadores com stakes suficientes poderiam especificar até 16 chaves e limites de assinatura, permitindo que vários nós funcionem como um só. Este design minimiza o atraso na produção de blocos e é compatível com qualquer esquema de assinatura.
Descentralização e a visão futura do staking
Um dos pilares da visão de Buterin para o DVT nativo é o fomento da descentralização. Ao simplificar a gestão de staking tolerante a falhas e reduzir a complexidade técnica, a proposta visa encorajar mais stakers individuais e operadores de menor porte a participar ativamente da validação da rede.
Isso é crucial para mitigar a concentração de poder observada atualmente, onde grandes provedores de staking detêm uma parcela considerável do ETH em stake. A integração nativa do DVT pode distribuir o poder de staking de forma mais equitativa, tornando o ecossistema mais robusto e menos suscetível à censura ou a ataques coordenados.
Embora soluções DVT já existam no mercado, oferecidas por projetos como Obol Network e SSV Network e exploradas por plataformas como Lido e Blockdaemon, a proposta de Vitalik busca uma abordagem mais fundamental, integrando a tecnologia diretamente no núcleo do protocolo Ethereum. Essa padronização no nível do protocolo poderia garantir que todas as implementações de DVT sigam parâmetros idênticos de segurança e operacionais, superando a abordagem fragmentada atual.
A implementação bem-sucedida do DVT nativo no Ethereum pode não apenas fortalecer a segurança e a descentralização, mas também estabelecer um novo padrão para redes de prova de participação. A comunidade do Ethereum aguarda agora o feedback sobre a proposta, que tem o potencial de moldar significativamente o futuro do staking na blockchain.









