Apesar do recente adiamento de uma votação crucial no Senado e da retirada de apoio de grandes players, Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, expressa confiança inabalável no avanço da regulamentação de criptoativos nos Estados Unidos. O executivo, conhecido por sua visão otimista, acredita que as lacunas serão preenchidas “em tempo” e que o país finalmente estabelecerá um arcabouço legal claro para o setor.

Este posicionamento contrasta nitidamente com a postura da Coinbase, uma das maiores exchanges de criptomoedas, cujo CEO, Brian Armstrong, manifestou preocupação com o texto atual do projeto de lei de estrutura de mercado. A empresa retirou seu apoio à proposta, citando “problemas sérios” que poderiam, inclusive, inviabilizar a negociação de ativos tokenizados e restringir as finanças descentralizadas (DeFi). O impasse levou ao adiamento de uma sessão de debate e votação no Comitê Bancário do Senado, gerando incerteza no mercado.

A discussão central gira em torno da definição de jurisdições regulatórias e, notavelmente, da questão das recompensas de stablecoins. Enquanto bancos tradicionais pressionam por limites, a Coinbase argumenta que a proibição de juros sobre stablecoins prejudicaria os consumidores e daria uma vantagem injusta ao setor bancário tradicional. Essa tensão ressalta a complexidade de equilibrar inovação com proteção ao investidor no cenário digital.

A visão de Novogratz sobre o futuro da regulamentação

Mike Novogratz mantém uma perspectiva construtiva sobre a capacidade de Washington de superar as divergências e aprovar uma legislação abrangente para o setor de criptoativos. Ele afirmou ter conversado com mais de dez senadores de ambos os partidos, que estariam trabalhando de boa-fé para chegar a um consenso. Para Novogratz, seria “estúpido” para qualquer partido ser anticripto na era atual, dada a crescente relevância da tecnologia.

O CEO da Galaxy Digital prevê que a clareza regulatória, uma vez estabelecida, impulsionará uma nova onda de participação no mercado, potencialmente alterando os ciclos de quatro anos tradicionalmente associados ao Bitcoin. Ele destaca a importância de leis como o GENIUS Act, que já regulamenta stablecoins, e o CLARITY Act, que busca definir a supervisão regulatória entre a SEC e a CFTC. A aprovação dessas medidas, segundo Novogratz, abrirá as portas para a integração de criptoativos em plataformas mainstream e aumentará o acesso dos usuários.

O impasse e os desafios regulatórios

Apesar do otimismo de Novogratz, o caminho para uma regulamentação clara e consensual permanece desafiador. A retirada de apoio da Coinbase ao projeto de lei de estrutura de mercado do Senado ilustra as profundas divisões dentro da própria indústria cripto. Brian Armstrong enfatizou que “nenhum projeto de lei é melhor do que um projeto de lei ruim”, refletindo a preocupação de que uma legislação mal elaborada poderia sufocar a inovação em vez de fomentá-la.

As objeções da Coinbase incluem a possibilidade de uma proibição velada de ações tokenizadas, restrições à privacidade no DeFi e a subordinação da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) à Comissão de Valores Mobiliários (SEC). Outro ponto de atrito significativo é a proposta de impedir que plataformas de criptoativos compartilhem com os usuários os juros obtidos com as reservas de stablecoins, uma medida que o setor bancário tradicional tem defendido. Senadores, como Tim Scott, presidente do Comitê Bancário do Senado, garantem que o adiamento é apenas uma “breve pausa” e que as negociações continuam em boa-fé com todas as partes envolvidas.

O cenário regulatório nos EUA é um campo de batalha complexo, onde interesses diversos competem por influência. Embora Mike Novogratz aposte que a legislação cripto avançará, o episódio com a Coinbase sublinha que a indústria não aceitará qualquer regulamentação. O equilíbrio entre inovação, proteção ao consumidor e estabilidade financeira continua sendo o grande desafio, com o mercado de criptoativos aguardando ansiosamente por uma resolução que possa trazer a tão desejada clareza jurídica e impulsionar a próxima fase de adoção institucional.