Pesquisadores da Penn State alertam: computadores quânticos têm falhas sérias de segurança. Hardware e software são vulneráveis a hackers, pedindo urgente cibersegurança quântica.

Sistemas quânticos, baseados em qubits com superposição e emaranhamento, processam dados exponencialmente mais rápido que máquinas tradicionais. Este poder, contudo, atrai ciberataques, conforme apontam Swaroop Ghosh e Suryansh Upadhyay da Penn State em um estudo recente.

Publicado nos Proceedings of the Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), o trabalho destaca a necessidade de proteger não apenas o software, mas também o hardware físico. Algoritmos e dados sensíveis podem ser expostos nas camadas mais profundas do sistema, conforme divulgado pela ScienceDaily em 20 de janeiro de 2026.

As complexidades da segurança quântica

Um dos principais desafios de segurança enfrentados pelos computadores quânticos reside na ausência de um método eficiente para verificar a integridade de programas e compiladores em escala, muitos dos quais são desenvolvidos por terceiros. Suryansh Upadhyay aponta que essa lacuna pode deixar informações corporativas e pessoais sensíveis vulneráveis a roubo, adulteração e engenharia reversa.

A propriedade intelectual das empresas, frequentemente integrada em circuitos de algoritmos quânticos, corre risco. Se expostos, atacantes podem extrair algoritmos proprietários, posições financeiras ou detalhes críticos de infraestrutura.

Outra vulnerabilidade é o emaranhamento indesejado, ou crosstalk. A interconexão eficiente dos qubits pode, inadvertidamente, levar ao vazamento de informações ou interrupção de funções computacionais. Isso ocorre quando múltiplos usuários compartilham o mesmo processador quântico, criando um desafio de segurança único.

Preparação para um futuro incerto

A natureza fundamentalmente diferente dos sistemas quânticos impede a aplicação direta de métodos de segurança clássicos, tornando as empresas em grande parte despreparadas para lidar com essas falhas. Ghosh e Upadhyay argumentam que a segurança quântica exige uma reavaliação completa das estratégias de proteção, considerando as particularidades do hardware e dos princípios quânticos.

A capacidade de qubits representarem simultaneamente zero, um ou ambos (superposição) e de estarem interligados (emaranhamento) é a base de sua força, mas também a raiz de suas vulnerabilidades únicas. O desenvolvimento de novas abordagens de cibersegurança, focadas na proteção do hardware e na verificação da integridade dos programas em nível quântico, é crucial.

Sem esses avanços, a promessa de transformação em indústrias como a farmacêutica, onde a computação quântica pode acelerar significativamente a pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos, permanece sob uma ameaça constante. A urgência de abordar essas questões é evidente, pois o uso mais amplo dessas máquinas se aproxima.

Apesar do potencial disruptivo da computação quântica, a segurança emerge como um gargalo crítico que exige atenção imediata. Os alertas de pesquisadores como Ghosh e Upadhyay sublinham que a corrida para desenvolver a tecnologia quântica deve ser acompanhada por um esforço igualmente intenso na construção de defesas robustas.

Somente com soluções de segurança inovadoras, que considerem as especificidades quânticas, será possível garantir que o futuro da computação seja tão seguro quanto promissor. Proteger a propriedade intelectual e os dados sensíveis na era quântica é fundamental para a sua adoção generalizada.