O ano de 2023 registrou um aumento preocupante nos chamados ‘wrench attacks’, onde criminosos usam coerção física para roubar criptomoedas, segundo dados que circulam no setor. Este tipo de violência, que envolve desde invasões domiciliares a sequestros relâmpago, expõe a vulnerabilidade de detentores de ativos digitais, exigindo novas estratégias de segurança física cripto.

A natureza descentralizada e a alta liquidez das criptomoedas transformaram seus detentores em alvos lucrativos. Longe da percepção de ataques puramente cibernéticos, a ameaça física tem crescido, com criminosos visando indivíduos que, de alguma forma, revelaram possuir ativos digitais. Segundo informações que circulam no setor, e conforme amplamente discutido em portais especializados como o www.theblock.co, o ano de 2023 foi marcado por um número recorde de ‘wrench attacks’, um termo que descreve a violência direta para forçar o acesso a carteiras digitais.

Essa escalada reflete uma sofisticação na criminalidade, que agora transita do ambiente puramente virtual para o mundo real, explorando a riqueza on-chain e a falha humana. A percepção de que criptoativos são irrecuperáveis e a dificuldade em rastrear transações incentivam esses atos, tornando a proteção pessoal e patrimonial uma prioridade inegável para quem investe no ecossistema de blockchain.

A escalada dos ataques e suas modalidades

Os ‘wrench attacks’ manifestam-se de diversas formas, todas com o objetivo comum de extrair chaves privadas ou senhas de acesso a carteiras cripto. Um relatório de 2023 da Chainalysis, empresa especializada em análise de blockchain, embora focando em crimes cibernéticos, também sublinha o aumento de fraudes e golpes que, em alguns casos, culminam em ameaças físicas. Invasões domiciliares, por exemplo, são táticas onde criminosos forçam a vítima a transferir criptomoedas sob ameaça, muitas vezes após monitorar suas atividades online ou em redes sociais.

Outra modalidade comum é o sequestro relâmpago, onde a vítima é coagida a acessar suas contas e realizar transferências. Casos como o noticiado pelo New York Times em 2022, envolvendo ataques de SIM swap que precedem a coerção física, demonstram a intersecção entre a segurança digital e a física. Nesses cenários, a obtenção de informações pessoais online é o primeiro passo para a identificação e posterior ataque ao alvo. A vulnerabilidade é amplificada quando o detentor de criptoativos expõe seu patrimônio ou estilo de vida nas redes, atraindo a atenção indesejada.

Estratégias essenciais para a segurança física de criptoativos

Proteger-se contra ‘wrench attacks’ exige uma abordagem multifacetada que combine segurança digital e física rigorosa. Primeiramente, a segurança operacional (OpSec) é crucial: evite divulgar publicamente que você detém criptomoedas ou o volume de seus investimentos. Informações sobre seu estilo de vida, viagens ou bens de alto valor podem ser usadas para identificar e localizar você.

Em termos de proteção física, considere medidas como sistemas de segurança residencial robustos, câmeras de vigilância e alarmes. A diversificação na guarda de ativos é outra tática vital; não mantenha todos os seus fundos em um único local ou sob um único método de acesso. Utilize cold wallets (carteiras de hardware) e distribua seus ativos em diferentes dispositivos ou serviços, preferencialmente com múltiplas assinaturas (multi-sig).

A higiene digital também desempenha um papel importante na segurança física cripto. Use senhas fortes e exclusivas, autenticação de dois fatores (2FA) em todas as contas e esteja sempre atento a tentativas de phishing ou SIM swap. Ter um plano de emergência, incluindo o que fazer e quem contatar em caso de ataque, pode fazer a diferença. Especialistas em segurança digital, como os da Bitdefender, frequentemente alertam sobre a importância de separar sua identidade online da sua realidade física, minimizando a superfície de ataque para criminosos.

Diante da crescente ameaça dos ‘wrench attacks’, a proteção de criptoativos transcende o universo digital, exigindo uma vigilância constante sobre a segurança pessoal e patrimonial. Investir em educação sobre as melhores práticas de OpSec e em soluções de segurança física e digital é o caminho para mitigar os riscos e garantir a integridade dos seus investimentos em um cenário cada vez mais complexo.