A Morgan Stanley, uma das maiores instituições financeiras globais com quase US$ 9 trilhões em ativos sob gestão, acaba de apresentar à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos EUA uma proposta para um fundo negociado em bolsa (ETF) de Ethereum (ETH) à vista. Esta iniciativa, revelada em 7 de janeiro de 2026, segue-se a filings semelhantes para ETFs de Bitcoin (BTC) e Solana (SOL) realizados apenas um dia antes, indicando uma expansão agressiva da empresa no espaço das criptomoedas.
A série de propostas, que inclui o “Morgan Stanley Ethereum Trust”, o “Morgan Stanley Bitcoin Trust” e o “Morgan Stanley Solana Trust”, marca um ponto de inflexão significativo. Representa a primeira vez que um grande banco sistemicamente importante dos EUA busca lançar seus próprios ETFs de criptomoedas à vista, em vez de apenas distribuir produtos de terceiros. Este movimento sublinha uma crescente aceitação e integração dos ativos digitais no sistema financeiro tradicional, em um cenário de maior clareza regulatória e demanda dos investidores.
A iniciativa da Morgan Stanley não apenas reflete uma mudança na percepção institucional sobre criptoativos, mas também sinaliza uma estratégia para oferecer exposição direta a esses mercados em rápido crescimento. A medida vem em um momento em que os ETFs de Bitcoin à vista já acumulam mais de US$ 120 bilhões em ativos sob gestão, demonstrando o apetite do mercado por veículos de investimento regulamentados em cripto.
A estratégia abrangente da Morgan Stanley em criptoativos
Os detalhes dos novos filings da Morgan Stanley revelam uma abordagem multifacetada. O “Morgan Stanley Ethereum Trust” planeja engajar-se em staking, permitindo que o fundo gere rendimento adicional sobre suas holdings de ETH para os investidores. Similarmente, o ETF de Solana também incorpora um mecanismo de staking, enquanto o fundo de Bitcoin operará como um veículo de investimento passivo.
Esta expansão está alinhada com os esforços mais amplos da Morgan Stanley para aprofundar sua presença no setor de ativos digitais. A empresa já havia removido restrições a investimentos em cripto para seus clientes de gestão de patrimônio e planeja lançar negociação direta de criptomoedas através de sua divisão E*Trade no início de 2026, inicialmente cobrindo Bitcoin, Ethereum e Solana. Essas ações indicam uma visão de longo prazo para integrar totalmente os criptoativos em suas ofertas de serviços.
O impacto no mercado e a aceitação institucional
A entrada da Morgan Stanley no mercado de ETFs de criptoativos é um endosso poderoso à legitimidade e ao potencial de crescimento da classe de ativos. Matt Hougan, CIO da Bitwise, descreveu a jogada como “bastante notável”, destacando que esses novos ETFs serão os primeiros a ostentar a marca “Morgan Stanley” diretamente, fora de suas subsidiárias. Bryan Armour, analista de ETF da Morningstar, acrescentou que a entrada de um banco de tal porte confere maior credibilidade ao mercado.
A aprovação desses ETFs pela SEC, embora ainda incerta, poderia abrir as portas para um fluxo ainda maior de capital institucional para o ecossistema cripto. Enquanto os ETFs de Bitcoin têm dominado as entradas de capital, o sucesso da Morgan Stanley pode impulsionar o interesse em outras criptomoedas de grande capitalização, como Ethereum e Solana, que até então tiveram entradas mais modestas em produtos semelhantes.
A decisão da Morgan Stanley de apostar em ETFs de Ethereum, Bitcoin e Solana representa um marco na convergência entre as finanças tradicionais e o universo digital. Ao oferecer veículos de investimento regulamentados e, no caso de Ethereum e Solana, com recursos de staking, a instituição não apenas atende à demanda crescente de seus clientes, mas também pavimenta o caminho para uma integração mais profunda dos ativos digitais no mainstream financeiro. O futuro do investimento em cripto, mediado por gigantes de Wall Street, parece cada vez mais próximo da realidade.




