Desde a manhã de Natal, a proposta nostálgica dos telefones Tin Can, projetados para oferecer uma conexão simples e sem telas para crianças, foi abalada por uma sobrecarga na rede. Muitos usuários, entusiasmados com os novos dispositivos, encontraram dificuldades para realizar ou receber chamadas, conforme reportado pela Fast Company. O CEO e cofundador da Tin Can, Chet Kittleson, admitiu que a demanda do Natal superou as expectativas, apesar de meses de preparação.

Os telefones Tin Can, que se conectam via internet, foram promovidos como uma forma de as crianças se comunicarem com amigos e familiares sem a necessidade de um smartphone, evitando distrações e riscos como spam e golpes. Essa proposta ressoa com a crescente busca dos pais por alternativas para o uso precoce de telas, um movimento que tem ganhado força diante dos impactos negativos dos smartphones na saúde mental e desenvolvimento infantil.

A empresa observou um crescimento que, segundo Kittleson, foi inédito e avassalador em poucas horas, impossível de prever completamente através de testes de estresse. Clientes recorreram a plataformas como Reddit e Instagram para relatar uma série de problemas, desde a impossibilidade de fazer ou receber chamadas até dificuldades na configuração inicial de contas e ativação dos aparelhos, que normalmente é feita via smartphone dos pais.

Desafios inesperados e a resposta da Tin Can

Apesar de a Tin Can ter resolvido as questões de configuração inicial, a instabilidade da rede persiste devido ao influxo sem precedentes de novos clientes. Chet Kittleson confirmou que o serviço telefônico continua não confiável para muitos, afetando todos os tipos de chamadas, incluindo as de emergência para o 911. A interrupção significa que muitas crianças ficaram impossibilitadas de se conectar com amigos e entes queridos, uma situação que a equipe da Tin Can está trabalhando incansavelmente para corrigir.

Em um gesto de boa-fé, a Tin Can comprometeu-se a não cobrar os clientes que optaram pelo plano pago “party line” – que permite chamadas para números externos pré-aprovados – enquanto a rede não estiver totalmente restaurada e confiável. Esta abordagem visa mitigar a frustração dos consumidores que investiram em uma solução que prometia simplicidade e segurança, mas que falhou em seu momento de maior demanda. O incidente sublinha a complexidade de escalar serviços de tecnologia, mesmo aqueles projetados para serem “simples”.

O crescente mercado de dispositivos infantis sem tela e a concorrência

O apelo dos telefones Tin Can insere-se em uma tendência maior de “tecnologia nostálgica” e na preocupação dos pais com o tempo de tela excessivo de seus filhos. Dispositivos como o Tin Can oferecem uma ponte entre a necessidade de comunicação e o desejo de proteger as crianças dos aspectos mais nocivos da internet e das redes sociais. O mercado para esses aparelhos está em expansão, com a demanda impulsionando a inovação e o surgimento de novos players.

Um exemplo notável é a Pinwheel, empresa já conhecida por seus smartphones e smartwatches infantis com controle parental. A Pinwheel anunciou, em 5 de janeiro de 2026, o lançamento do “Pinwheel Home”, um telefone conectado via Wi-Fi e apenas de voz, projetado para crianças de 5 a 10 anos, com previsão de chegada ao mercado em abril. Este movimento da Pinwheel indica uma concorrência crescente no nicho de telefones residenciais sem tela para crianças, validando a demanda por soluções que priorizam a comunicação verbal e a segurança.

A sobrecarga dos telefones Tin Can após o Natal serve como um lembrete da importância da robustez da infraestrutura tecnológica, mesmo para produtos que visam a simplicidade. Enquanto a empresa trabalha para estabilizar sua rede, o incidente destaca a urgência de soluções confiáveis no mercado de dispositivos infantis sem tela. A evolução desse segmento, com a entrada de novos competidores, sugere um futuro onde a conexão segura e controlada para as crianças será cada vez mais uma prioridade para pais e desenvolvedores.