A startup rScan, de South Bend, Indiana, combate o desperdício no varejo. Sua plataforma de logística reversa conecta produtos devolvidos a revendedores, evitando que acabem em aterros e gerando lucro.

Estimativas da National Retail Federation indicam que, somente em 2025, as vendas do varejo nos EUA atingiram cerca de US$ 5,5 trilhões, gerando um volume considerável de devoluções. Desses, aproximadamente US$ 850 bilhões em mercadorias retornadas são frequentemente descartadas, pois inspecionar, classificar e revender pode ser mais caro do que simplesmente jogá-las fora.

Essa prática não apenas representa um problema financeiro para as empresas, mas também uma questão ecológica massiva, conforme apontado por Ryan Ryker, CEO da rScan. A startup intervém para facilitar a transferência desses produtos de varejistas sobrecarregados para revendedores dispostos a reintroduzi-los no mercado, combatendo o desperdício.

Tecnologia e empreendedorismo na economia circular

A solução da rScan reside em sua tecnologia e serviço de logística. A empresa oferece um aplicativo de leitura de código de barras que, ao escanear o UPC de uma caixa, exibe o nome do produto, marca, imagens, descrições detalhadas e manuais. Isso permite que os revendedores avaliem a condição do item e confirmem a presença de todos os componentes.

Por trás da simplicidade do aplicativo, existe uma infraestrutura de dados robusta que auxilia os revendedores a compreender o que possuem e como vender. Se o produto for considerado vendável, a rScan gera listagens completas para marketplaces como Amazon, eBay ou Shopify, com atributos e preços estimados, baseados em monitoramento constante do mercado.

A empresa cobra uma taxa de US$ 0,30 por mês por item único catalogado e listado para venda online, além de uma porcentagem das vendas mensais que varia de 1% a 3,9%. Os fundadores, Ryan Ryker, Julian Marquez e Rod Baradaran, que já haviam empreendido juntos em uma marca de vestuário na adolescência, reuniram-se em 2021 para criar a rScan, impulsionados pelo aumento das devoluções durante a pandemia e o crescimento do e-commerce.

Impacto ambiental e social da revenda

O modelo da rScan não apenas cria um novo fluxo de receita para empreendedores, desde pequenos negócios de garagem até grandes revendedores, mas também aborda diretamente a questão do descarte. Ao facilitar a revenda, a startup evita que milhões de toneladas de produtos anualmente acabem em aterros sanitários, um problema que custa bilhões de dólares ao varejo.

A empresa também oferece serviços logísticos físicos, operando um armazém de 53.000 pés quadrados em South Bend. Esse espaço permite receber mercadorias devolvidas, armazená-las para clientes que não possuem infraestrutura própria e organizar o envio aos compradores. Conforme a própria rScan, mais de 840.000 libras de produtos já foram desviadas de aterros, um testemunho do compromisso da startup com a sustentabilidade.

Além do impacto ambiental, a rScan tem um forte componente social, ajudando pessoas a gerar renda extra. Julian Marquez, cofundador, exemplifica como a plataforma auxiliou um colega de trabalho a encontrar uma rede de segurança financeira em meio a demissões em sua indústria. A empresa, que começou de forma bootstrapped, tem 36 funcionários e considera buscar investidores externos que compartilhem sua visão de democratizar o empreendedorismo e promover a sustentabilidade.

A rScan representa um modelo promissor de economia circular, transformando um grande problema do varejo em uma solução sustentável e lucrativa. Seu crescimento indica um futuro onde a tecnologia pode não só otimizar processos, mas também realinhar o consumo com a responsabilidade ambiental e social.