O ano de 2025 marcou um ponto de virada preocupante no cenário da segurança digital, com o volume de fundos ilícitos em criptomoedas atingindo a impressionante marca de US$ 154 bilhões. Esse aumento de 162% em relação ao ano anterior, conforme o mais recente relatório da Chainalysis, destaca uma expansão alarmante das atividades criminosas no ecossistema digital, especialmente com a crescente participação de atores estatais.
A ascensão do crime de criptomoedas não se limita a golpes e fraudes tradicionais; ela reflete uma profissionalização e diversificação das táticas criminosas. Entidades sancionadas foram responsáveis por uma parcela significativa desse crescimento, registrando um salto de 694% no valor recebido, o que sublinha a complexidade e a natureza geopolítica envolvida. Mesmo sem considerar as transações de entidades sancionadas, 2025 ainda seria um ano recorde para a atividade ilícita com criptoativos, indicando que a ameaça é abrangente e multifacetada.
Essa escalada de crimes de criptomoedas é um indicativo claro de como o submundo digital está evoluindo, aproveitando a natureza global e pseudo-anônima das transações para fins cada vez mais audaciosos. Relatórios como os da Chainalysis, frequentemente repercutidos em publicações especializadas como o The Block, são cruciais para entender a dinâmica e os desafios impostos por essa nova fronteira do crime.
Atores estatais e a evasão de sanções impulsionam o crime de criptomoedas
Um dos aspectos mais marcantes do relatório da Chainalysis para 2025 é a influência sem precedentes de atores estatais nas operações ilícitas. Nações como a Rússia, por exemplo, demonstraram estratégias para evasão de sanções, utilizando tokens digitais como o A7A5, lastreado em rublos, que movimentou mais de US$ 93,3 bilhões em seu primeiro ano. O Irã, por sua vez, continuou a explorar redes de proxy para lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas, incluindo a venda de petróleo e aquisição de armamentos, com mais de US$ 2 bilhões fluindo através de carteiras sob sanções.
A Coreia do Norte, notória por suas operações cibernéticas, intensificou suas ações. Hackers ligados ao regime norte-coreano foram responsáveis pelo roubo de quase US$ 2 bilhões em criptomoedas em 2025, incluindo o maior assalto registrado, o ataque à Bybit, que resultou em uma perda de quase US$ 1,5 bilhão. A sofisticação desses ataques, tanto nas técnicas de intrusão quanto nas estratégias de lavagem de dinheiro, atingiu novos patamares, evidenciando a crescente capacidade desses grupos em contornar as defesas digitais. Além disso, as stablecoins, pela sua facilidade de transferência e menor volatilidade, representaram 84% do volume de transações ilícitas, consolidando-se como ferramenta preferencial para criminosos.
A profissionalização do crime e seus desdobramentos
A diversificação do crime de criptomoedas vai além dos atores estatais, englobando uma profissionalização generalizada. Grupos criminosos organizados estão cada vez mais utilizando criptoativos para financiar crimes tradicionais, como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraudes em larga escala. Há também uma preocupante intersecção entre atividades on-chain e crimes violentos no mundo físico, incluindo tráfico humano e os chamados “ataques de chave de fenda”, onde criminosos usam coerção física para obter acesso a fundos de criptomoedas.
Apesar do volume recorde de atividades ilícitas, é importante notar que elas ainda representam uma pequena fração do total de transações em criptomoedas, permanecendo abaixo de 1% do volume total atribuído. No entanto, a complexidade e o impacto desses crimes não podem ser subestimados. A indústria de blockchain analytics, com empresas como a Chainalysis, desempenha um papel fundamental no rastreamento e na identificação dessas atividades, auxiliando autoridades globais no combate ao crime organizado e na proteção dos usuários. A contínua evolução das táticas criminosas exigirá uma colaboração ainda maior entre governos, empresas de tecnologia e a comunidade cripto para mitigar os riscos futuros e garantir um ecossistema mais seguro e transparente.










