O Bitcoin (BTC) viu seu preço cair novamente para a faixa dos US$ 90.000, apagando parte dos ganhos acumulados em um rali robusto que marcou o início de 2026. Após se aproximar e, em alguns momentos, superar a marca dos US$ 94.000, a principal criptomoeda do mundo ajustou-se para baixo, gerando discussões sobre a força do mercado em meio à volatilidade característica dos ativos digitais.
Este movimento de correção, que levou o Bitcoin abaixo de $90.000, ocorre poucos dias após o ativo digital ter iniciado o ano com uma valorização significativa, negociado em torno de US$ 89.300 em 2 de janeiro. A rápida ascensão inicial foi impulsionada por um ambiente macroeconômico global favorável e o otimismo em relação a cortes de juros nos Estados Unidos, mas encontrou resistência em patamares mais elevados.
Analistas de mercado, como Fernando Ulrich da OranjeBTC, alertam que é cedo para uma análise aprofundada, considerando a movimentação como um ajuste normal após o fechamento do ano. A oscilação, que viu o Bitcoin recuar para cerca de US$ 91.000 em 7 de janeiro, reflete uma realização de lucros e a sensibilidade do ativo a indicadores técnicos e fatores externos.
Fatores por trás da correção do Bitcoin
A recente queda do Bitcoin pode ser atribuída a uma confluência de fatores técnicos e macroeconômicos. Um dos principais elementos apontados por especialistas é a realização de lucros, especialmente após o ativo atingir níveis de preço elevados no início do ano. A rejeição em zonas de resistência importantes, como a marca de US$ 94.762, combinada com um Índice de Força Relativa (RSI) sobrecomprado, sinalizou um momento propício para investidores venderem.
Além disso, o cenário macroeconômico global continua a exercer influência. A incerteza quanto à trajetória da política monetária do Federal Reserve (Fed) e a aversão ao risco no mercado geral contribuem para a volatilidade. Embora as entradas em ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos tenham sido robustas em 2025 e no início de 2026, totalizando cerca de US$ 58 bilhões, o ritmo pode ter diminuído, afetando a demanda. A publicação TheBlock.co, que tem acompanhado de perto as movimentações do mercado, também destacou a volatilidade neste período.
Questões regulatórias também adicionaram cautela. Propostas como a da Coreia do Sul, que permitiria o congelamento de contas de criptomoedas antes de investigações, geram preocupação entre os traders sobre potenciais restrições e a redução da liquidez. Essa percepção de risco regulatório, embora localizada, pode reverberar globalmente em um mercado interconectado.
Perspectivas e o futuro da criptomoeda
Apesar da retração do Bitcoin abaixo de $90.000, o sentimento geral entre os especialistas permanece majoritariamente otimista para o restante de 2026. Muitos analistas veem a correção atual como um ajuste saudável, e não uma mudança de tendência. O Itaú BBA, por exemplo, sugere que janeiro pode ser um mês-chave para definir o rumo do mercado, com criptomoedas entrando em zonas técnicas decisivas.
Projeções de bancos como JPMorgan e Standard Chartered, apesar de revisões cautelosas, ainda apontam para o Bitcoin atingir novos recordes em 2026, com estimativas variando entre US$ 150.000 e US$ 200.000, e algumas chegando a US$ 300.000. Esse otimismo é fundamentado na crescente institucionalização do Bitcoin, com a expansão de ETFs e a busca por maior clareza regulatória através de iniciativas como o Clarity Act e o Genius Act nos EUA.
O mercado de criptomoedas parece estar amadurecendo, com uma expectativa de menor volatilidade e um comportamento mais alinhado a ativos macroeconômicos. A entrada de capital institucional tende a criar uma base mais estável para o Bitcoin, transformando-o de um ativo puramente especulativo para uma parte mais definida das estratégias de alocação global. O desafio, agora, é observar se o Bitcoin conseguirá consolidar o suporte em torno dos US$ 90.000 e retomar sua trajetória de valorização, impulsionado por esses fundamentos de longo prazo.











