Apesar dos esforços da administração Trump para impulsionar os combustíveis fósseis e frear o avanço das energias renováveis, o setor de energia limpa nos Estados Unidos continua a prosperar. Em 2025, quase toda a nova capacidade energética adicionada à rede veio de fontes solares, eólicas e baterias, um testemunho da resiliência do mercado.
Este cenário de crescimento robusto, projetado para continuar em 2026 com todas as novas adições provenientes de renováveis, contrasta diretamente com as políticas implementadas. Desde o primeiro dia de seu mandato, o ex-presidente Donald Trump buscou reverter a transição energética, paralisando projetos e retirando incentivos fiscais. A questão que se impõe é como essa indústria conseguiu não apenas sobreviver, mas florescer em um ambiente tão adverso.
A vitalidade do setor é notável, especialmente quando se observa que, em setembro de 2025, a energia solar representou 98% da nova capacidade instalada. Dados da BloombergNEF, por exemplo, mostram que, embora o investimento global em renováveis tenha batido recorde no primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos viram uma queda de 36% nos gastos comprometidos, com desenvolvedores acelerando a construção no final de 2024 para garantir créditos fiscais antes da incerteza política.
Os ventos contrários das políticas de Trump
A administração Trump implementou uma série de medidas destinadas a desmantelar a infraestrutura de apoio à energia limpa. Isso incluiu a pausa na concessão de licenças para alguns projetos eólicos e a paralisação de empreendimentos eólicos offshore.
A revogação de créditos fiscais de longa data para projetos de energia limpa através da “One Big Beautiful Bill Act” foi outro golpe significativo. Adicionalmente, o programa “Solar for All”, que visava levar energia solar a lares de baixa renda, foi encerrado pela Agência de Proteção Ambiental (EPA).
O Departamento do Interior (DOI) também cancelou um projeto solar massivo em Nevada que poderia abastecer milhões de residências. Essas ações geraram uma incerteza política que, segundo Sean Gallagher, da Solar Energy Industries Association (SEIA), levou à falência de algumas empresas menores devido a desafios de financiamento.
Projetos eólicos offshore, como o Revolution Wind, enfrentaram múltiplas ordens de paralisação, exigindo intervenções judiciais para continuar. Estima-se que 117 gigawatts de projetos de armazenamento de energia solar e bateria – o suficiente para abastecer quase 100 milhões de residências – correm o risco de não serem concluídos nos próximos anos devido a novos desafios na obtenção de licenças federais.
A Agência Internacional de Energia (AIE) chegou a reduzir em quase 50% sua previsão de crescimento da capacidade de energia renovável nos EUA até 2030, projetando um acréscimo de apenas 250 gigawatts. Essa é uma redução drástica em relação às estimativas anteriores e foi atribuída à eliminação antecipada de incentivos fiscais federais e a mudanças regulatórias.
A resiliência impulsionada pela demanda e inovação
Apesar do cenário político desfavorável, o setor de energia limpa nos EUA demonstrou uma notável capacidade de adaptação e crescimento. A demanda por energia, especialmente de centros de dados em expansão impulsionados pela inteligência artificial, permanece “inabalável”, como observa Jim Spencer, presidente e CEO da Exus Renewables North America.
Empresas como a Exus, por exemplo, conseguiram fechar linhas de crédito substanciais para novos projetos solares e eólicos, superando as expectativas iniciais. A S&P Global projeta que o investimento total em data centers nos EUA se aproximará de 500 bilhões de dólares em 2026, solidificando essa demanda.
Estados e desenvolvedores têm resistido às políticas federais, vencendo processos judiciais e garantindo a continuidade de projetos. A pressa das empresas para instalar painéis solares, turbinas eólicas e baterias antes que os créditos fiscais federais expirem ou se tornem mais difíceis de obter também criou um grande volume de projetos em andamento.
Analistas da BloombergNEF preveem que os EUA devem adicionar quantidades recordes de energia renovável e baterias até 2027, impulsionando um pipeline de projetos significativo. A diversificação de empregos no setor, que vai além da produção de eletricidade para incluir funções técnicas e de manutenção, e o fortalecimento das economias regionais que investem em energia limpa, também contribuem para a resiliência do mercado.
Mesmo com a AIE reduzindo suas previsões para os EUA, globalmente, a capacidade instalada de geração de energia renovável deve dobrar até 2030, com a solar respondendo por quase 80% desse crescimento. Isso mostra que, apesar dos desafios internos, o impulso global pela energia limpa permanece forte.
O boom da energia limpa nos Estados Unidos é um fenômeno multifacetado, impulsionado por uma combinação de fatores de mercado, inovação tecnológica e a determinação de estados e empresas. Embora as políticas federais da administração Trump tenham criado obstáculos consideráveis, a demanda intrínseca por soluções energéticas mais limpas e eficientes tem sido um motor poderoso.
O futuro da energia nos EUA, conforme observado em fastcompany.com, parece cada vez mais verde. O setor demonstra uma capacidade notável de superar as adversidades políticas e continuar sua trajetória de crescimento, consolidando-se como um pilar da economia e da sustentabilidade, independentemente das oscilações políticas.










