O mercado de criptomoedas testemunhou um episódio de intensa cautela institucional em 20 de janeiro de 2026, quando os fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin e Ether reportaram saídas combinadas de US$ 713 milhões. Este movimento, noticiado por diversas plataformas de análise, incluindo o Phemex News e o The Economic Times, ocorre em um cenário de volatilidade acentuada e incertezas macroeconômicas globais.
As saídas representam um recuo significativo do capital institucional, que havia demonstrado um interesse crescente nos ativos digitais no início do ano. A pressão vendedora reflete uma série de fatores, desde a realização de lucros após breves altas até a crescente aversão ao risco impulsionada por tensões geopolíticas e políticas monetárias.
A turbulência no mercado cripto, que já vinha passando por correções desde 2022, intensificou-se no começo de 2026. Em 20 de janeiro, os ETFs de Bitcoin à vista registraram uma saída líquida de US$ 483 milhões, enquanto os ETFs de Ethereum à vista viram uma retirada de US$ 230 milhões, somando os US$ 713 milhões. Paralelamente, dados da CoinGlass indicaram que US$ 713,4 milhões foram liquidados em 24 horas no mesmo dia, majoritariamente em posições compradas, evidenciando o impacto dessas movimentações.
A dinâmica por trás das saídas dos ETFs de Bitcoin e Ether
Diversos elementos contribuíram para a reversão do fluxo de capital nos ETFs de Bitcoin e Ether. Analistas do mercado apontam para a piora do apetite global por risco, a redução da liquidez internacional e ajustes em posições alavancadas como catalisadores importantes. As incertezas em relação às políticas monetárias dos Estados Unidos e uma desaceleração econômica global também exerceram forte pressão sobre a confiança dos investidores.
Além disso, tensões geopolíticas, como as ameaças de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre oito países europeus, e a disputa em torno da Groenlândia, geraram um sentimento de “aversão ao risco” que levou os investidores a se desfazerem de ativos mais voláteis. Este cenário fez com que o mercado cripto passasse a acompanhar de forma mais próxima os ciclos de volatilidade dos ativos tradicionais, contrariando a narrativa histórica de descorrelação.
Em meio a esse movimento, alguns ETFs específicos sentiram o impacto mais intensamente. O iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, por exemplo, registrou saídas significativas, enquanto o fundo FBTC da Fidelity conseguiu atrair entradas modestas, atuando como uma exceção à tendência geral de resgates. Essa divergência sugere uma seletividade crescente por parte dos investidores institucionais, que agora buscam alocações mais direcionadas.
O cenário futuro para os ativos digitais
Apesar do momento de retração, o futuro dos ETFs de criptomoedas e do mercado de ativos digitais permanece um tema de intenso debate. Embora o início de 2026 tenha sido marcado por saídas, a perspectiva de longo prazo ainda aponta para uma maior integração dos criptoativos com o sistema financeiro tradicional. Analistas da Coinbase, por exemplo, sugerem que o ecossistema avança para uma fase de consolidação estrutural, com maior presença institucional e sofisticação tecnológica.
Especialistas da Suno e da TradingView News indicam que 2026 pode ser um ano de grande expansão para os ETFs de criptomoedas, impulsionado por uma regulamentação mais clara e pelo ingresso de grandes instituições que veem esses fundos como uma porta de entrada balanceada para a exposição aos ativos digitais. A resiliência de alguns altcoins, como XRP e Solana, que registraram entradas durante o período de saídas de Bitcoin e Ether, pode indicar uma rotação de capital e uma busca por diversificação dentro do próprio universo cripto.
A dinâmica atual sugere que o mercado está em um processo de ajuste e amadurecimento, onde a disciplina na gestão de risco e uma perspectiva de longo prazo serão cruciais para os investidores. O monitoramento contínuo dos fluxos de capital e dos fatores macroeconômicos será essencial para navegar neste ambiente em constante evolução, que busca equilibrar a inovação dos ativos digitais com a estabilidade do sistema financeiro global.











