No mercado de criptomoedas não é novidade ouvir-se de esquemas fraudulentos de emissão de criptomoedas, onde seus idealizadores fazem a famosa “puxada de tapete” (rugpull) e os investidores perdem todo o dinheiro que investiram.

Agora, notícias vindas do continente africano mostram a execução de um esquema muito complexo, onde uma exchange “sumiu” com US$ 3,6 bilhões dos clientes, no que pode ter sido o maior fraude mundial envolvendo criptomoedas.

Segundo a Bloomberg, a Africrypt, exchange fundada pelos irmãos Ameer e Raees Cajee na Cidade do Cabo, África do Sul deixou de existir da noite pro dia, levando todos os bitcoins dos investidores armazenados em sua plataforma.

As autoridades sul-africanas tentaram localizar os golpistas, mas sem sucesso. Acredita-se que os irmãos ficaram com cerca de 69 mil bitcoins, embora em um comunicado recente tenham alegado um “ataque hacker”. Caso se comprovem as acusações de golpe financeiro, o incidente fará os reguladores da África do Sul tomarem medidas mais severas quanto ao comércio de ativos do tipo no país. A Bloomberg acredita que o caso possa ter consequências em outros países, dificultando a abertura de novas exchanges.

Entenda o caso

Fundada em 2019, a Africrypt gerou bons retornos para os investidores no início e cresceu rapidamente. Mas quando o preço do bitcoin começou a disparar, em abril de 2021, a exchange deu sinais que algo não estava indo bem. Ameer Cajee, o irmão mais velho, que servia como diretor de operações da empresa, comunicou aos clientes que a empresa fora sido vítima de um ataque hacker.
Alegando que trabalhavam na recuperação dos fundos perdidos, pediu que os investidores não relatassem o incidente à polícia ou aos advogados, pois uma intervenção iria atrasar o processo de resgate. Contudo, alguns clientes desconfiaram e entraram em contato com o escritório de advocacia Hanekom Attorneys, e outros decidiram abrir um processo de falência contra a Africrypt.
Conforma a investigação do escritório Hanekom, os fundos depositados na Africrypt foram retirados das wallets) carteiras) de clientes. Usando outras contas, realizaram operações para fracionar cada bitcoin e distribuir em wallets criadas para este fim, misturandoas criptomedas, numa operação que tentou torná-las impossíveis de rastrear.
Há registros que uma semana antes do suposto ataque hacker, os funcionários da exchange perderam seu acesso ao back end, o sistema que controla e registra as movimentações.
Os irmãos Cajee não podem ser alvos de uma investigação mais extensa da autoridade fiscal da África do Sul pois criptomoedas não são considerados produtos financeiros no país. Eles provavelmente levaram isso em consideração antes de iniciar seu plano e fugir do país. O caso está nas mãos dos Hawks, uma espécie de força de elite da Polícia Federal.
Antes do caso da Africrypt, o maior golpe de criptomoedas foi de uma empresa também da África do Sul. A Mirror Trading International sumiu com 23 mil bitcoins dos seus clientes no ano passado, três vezes menos que o que levaram os irmãos Cajee.