Seis anos após a COVID-19, o mundo arrisca repetir erros cruciais no preparo para crises sanitárias futuras. Países de renda média enfrentaram desafios imensos para garantir financiamento pandêmico adequado, uma lacuna urgente. Especialistas alertam para uma probabilidade anual de 2-3% de um evento pandêmico similar à COVID-19, com custos globais anuais superiores a US$ 700 bilhões. 0
Durante a pandemia de COVID-19, essas nações lutaram para investir em vacinas e outras contramedidas médicas essenciais, evidenciando uma falha crítica na arquitetura financeira global de resposta a emergências sanitárias. A falta de acesso rápido a capital flexível e a custos razoáveis exacerbou as vulnerabilidades econômicas e sociais, prolongando o impacto da crise. 0
Este cenário sublinha a necessidade imperativa de que formuladores de políticas e instituições financeiras internacionais, como os bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs), estabeleçam mecanismos de financiamento de risco pré-aprovados. Tal medida garantiria que os países de renda média possam agir prontamente ao primeiro sinal de um novo surto. Evitar as demoras e burocracias é crucial, pois custaram vidas e economias na última crise. 0
O desafio do financiamento pandêmico e as soluções
O desafio do financiamento pandêmico para países de renda média reside em sua posição intermediária. Frequentemente, não se qualificam para concessões de países mais pobres, mas carecem da robustez fiscal de economias desenvolvidas para mobilizar recursos rapidamente. A inação agrava crises de saúde e desestabiliza mercados e cadeias de suprimentos globais. 17, 21
A proposta de financiamento de risco, defendida por Masyita Crystallin e Rachel Glennerster no Project Syndicate, sugere que os BMDs se comprometam com fundos disponíveis imediatamente após a detecção de um patógeno. Esse modelo permitiria a compra antecipada de vacinas, equipamentos de proteção e a implementação de programas de saúde pública. 0
Em resposta a essas lacunas, o Fundo para Pandemias do Banco Mundial foi criado em setembro de 2022. Ele anunciou sua primeira rodada de financiamentos de US$ 300 milhões em fevereiro de 2023, visando fortalecer a prevenção, preparação e resposta em países de baixa e média renda. O Fundo busca arrecadar pelo menos US$ 2 bilhões em novas doações nos próximos dois anos. 1, 4, 7
Durante a COVID-19, uma análise do BRICS Policy Center mostrou que BMDs como o Banco Mundial e o Novo Banco de Desenvolvimento agiram rapidamente, criando linhas de crédito especiais e realocando fundos para apoiar medidas governamentais e fortalecer sistemas econômico-sociais. 3, 11
Implicações econômicas e a urgência do compromisso
As consequências econômicas de uma pandemia mal gerida são vastas. Além das perdas diretas em vidas, há interrupção de atividades produtivas, queda do comércio internacional e aumento do endividamento público. Para países de renda média, a dependência de setores vulneráveis, como turismo, torna o impacto ainda mais severo, gerando maior desigualdade econômica. 17, 22
O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem alertado repetidamente sobre os riscos macroeconômicos de crises sanitárias não contidas, incluindo o aumento da dívida pública e o risco de grandes falências se o apoio financeiro for retirado prematuramente. A estabilidade financeira global depende da capacidade de resposta rápida e equitativa em todas as regiões. 10, 13, 16
Um relatório do Painel Independente para Preparação e Resposta à Pandemia da OMS, de 2021, já indicava falhas no sistema global de gerenciamento de ameaças. É imperativo que os bancos multilaterais de desenvolvimento reconheçam a necessidade de um compromisso público e proativo com a disponibilização de recursos de risco. O financiamento pandêmico para países de renda média deve ser uma prioridade contínua, não uma reação tardia. 6, 0
A lição da COVID-19 é clara: a preparação é o investimento mais eficaz. Ao garantir que o financiamento pandêmico para países de renda média seja robusto e prontamente acessível, a comunidade global não apenas protege essas nações, mas fortalece a sua própria resiliência coletiva contra futuras ameaças. O tempo para agir é agora, antes que a próxima pandemia nos pegue despreparados novamente. 0










