Em uma movimentação estratégica crucial, a Ethereum Foundation anunciou a criação de uma equipe dedicada à segurança pós-quântica, acompanhada de um investimento de US$ 2 milhões em prêmios de pesquisa. A iniciativa, que ganhou destaque na imprensa especializada no último dia 24 de janeiro de 2026, visa proteger a rede de possíveis vulnerabilidades impostas pelo avanço da computação quântica, um desafio que exige preparação antecipada e robusta para o ecossistema blockchain.
Essa decisão marca um ponto de inflexão na estratégia de longo prazo da fundação, que já investiga os riscos quânticos desde 2019, intensificando seus esforços agora para uma fase de construção ativa. O objetivo é assegurar que a Ethereum permaneça resiliente por décadas, mesmo diante de computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia atual, uma preocupação crescente na indústria.
A urgência é palpável, com especialistas e o próprio cofundador Vitalik Buterin alertando para a possibilidade de que a criptografia subjacente da rede possa se tornar vulnerável já em 2028. A formação da equipe e os incentivos financeiros refletem a compreensão de que a transição para tecnologias resistentes a quântica é um processo complexo e multifacetado, que não pode ser postergado.
Avanço na segurança pós-quântica da Ethereum
A recém-formada equipe de segurança pós-quântica da Ethereum Foundation será liderada por Thomas Coratger, um engenheiro criptográfico da própria fundação, com o apoio de Emile, criptógrafo conhecido por seu trabalho no projeto leanVM. O leanVM, uma máquina virtual de prova de conhecimento zero (zkVM) minimalista, é considerado a pedra angular da estratégia criptográfica pós-quântica da Ethereum.
Para impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento, a fundação lançou dois prêmios de US$ 1 milhão cada. O Poseidon Prize visa fortalecer a função hash Poseidon, crucial para as soluções de escalabilidade Layer-2 da Ethereum, como os zk-Rollups. Já o Proximity Prize se destina a pesquisas mais amplas em tecnologia resistente a quântica, incentivando a inovação em criptografia pós-quântica (PQC).
Além dos prêmios, a Ethereum Foundation está implementando sessões quinzenais para desenvolvedores, lideradas pelo pesquisador Antonio Sanso, que abordarão temas como abstração de contas e agregação de assinaturas usando o leanVM. Redes de desenvolvimento de consenso multi-clientes, como Lighthouse e Grandine, já estão testando protocolos pós-quânticos, com uma solução semelhante esperada em breve do Prysm.
O cenário da ameaça quântica e a resposta da blockchain
A ameaça da computação quântica não é exclusiva da Ethereum, mas um desafio para todo o setor de blockchain e outras infraestruturas digitais. Computadores quânticos, ao utilizarem qubits, podem processar informações de maneiras radicalmente diferentes dos computadores clássicos, potencialmente quebrando métodos criptográficos atuais, como a criptografia de curva elíptica que protege bilhões em Bitcoin e Ether.
Outras grandes empresas do setor também estão se mobilizando. A Coinbase, por exemplo, formou um conselho consultivo independente sobre computação quântica para avaliar os riscos e propor soluções de longo prazo para blockchains como Bitcoin e Ethereum. Essa coordenação entre diferentes players da indústria é fundamental para enfrentar uma ameaça que, embora ainda não iminente, exige uma transição cuidadosa e planejada.
A corrida para a resistência pós-quântica está em curso, e a proatividade da Ethereum Foundation posiciona a rede na vanguarda dessa transição. Com a formação da equipe dedicada, o robusto investimento em pesquisa e o estímulo à comunidade de desenvolvedores, a Ethereum busca não apenas antecipar, mas construir ativamente um futuro seguro para sua infraestrutura, garantindo sua relevância e confiabilidade na próxima era da computação. O caminho é complexo, mas a fundação parece determinada a pavimentá-lo com passos firmes e colaborativos.












