O token Kaito registrou uma queda abrupta em seu valor nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, após a plataforma X (anteriormente Twitter) anunciar uma revisão de suas políticas de API, proibindo projetos de criptomoedas classificados como ‘infofi’. A decisão da gigante da tecnologia representa um golpe significativo para o Kaito, um projeto que monetiza a atividade na própria rede social, e levanta questões sobre o futuro da interação entre plataformas centralizadas e o ecossistema Web3.
A medida do X visa combater o que a empresa descreve como uma “tremenda quantidade de ‘AI slop’ e spam de respostas” gerados por esses projetos. O Kaito, em particular, é conhecido por ser um assistente de pesquisa aprimorado por inteligência artificial que recompensa usuários por curar e entregar dados relevantes de mercado, muitas vezes vinculados à atividade no Crypto Twitter. Essa interdependência com a API do X para coletar e incentivar a criação de conteúdo coloca o projeto em uma posição vulnerável diante das novas regras.
A encruzilhada da monetização de dados e as políticas de plataformas
Projetos ‘infofi’, ou “information finance”, representam uma categoria emergente que funde finanças descentralizadas (DeFi) com ferramentas avançadas de descoberta de dados, inteligência artificial e grafos de conhecimento. O cerne desses projetos reside na tokenização da atenção do usuário, do conteúdo gerado e da reputação, transformando-os em ativos monetizáveis. O Kaito AI é um exemplo proeminente, buscando tokenizar a economia da atenção do Crypto Twitter ao recompensar os usuários com “pontos Yap” por posts de qualidade, que podem levar a airdrops do token KAITO.
No entanto, essa simbiose com plataformas como o X agora enfrenta um obstáculo regulatório imposto pela própria rede social. A justificativa do X, conforme comunicado por um de seus executivos, Nikita Bier, é a proliferação de conteúdo de baixa qualidade e spam gerado por IA, que estaria sendo incentivado por esses modelos de recompensa. Essa tensão ressalta um conflito fundamental: enquanto o Web3 prega a descentralização e a monetização direta do valor gerado pelos usuários, plataformas centralizadas buscam manter o controle sobre seus dados e a qualidade de seu ambiente, muitas vezes em detrimento de modelos de negócios inovadores baseados em suas APIs.
O futuro incerto para projetos cripto dependentes de APIs
A queda do Kaito token é um alerta para outros projetos de criptomoedas que dependem fortemente do acesso a APIs de grandes plataformas sociais para suas operações e modelos de incentivo. A volatilidade inerente aos ativos digitais, aliada a mudanças regulatórias inesperadas por parte de gigantes da tecnologia, cria um cenário de risco considerável. A dependência de dados externos, como os fornecidos por APIs, já era um ponto de atenção no universo cripto, com discussões sobre a precisão e a confiabilidade das informações em momentos de alta volatilidade.
Este evento pode acelerar a busca por fontes de dados verdadeiramente descentralizadas e soluções que minimizem a dependência de infraestruturas controladas por terceiros. Governos e órgãos reguladores em todo o mundo, como o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), já debatem a regulação de plataformas digitais e a proteção de dados pessoais, enfatizando a autodeterminação informacional e a integridade da informação. Reformas fiscais em países como Moçambique também começam a tributar serviços digitais, dados e criptomoedas, indicando uma tendência global de maior escrutínio sobre o setor. A capacidade de adaptação e inovação para criar ecossistemas mais autônomos será crucial para a sobrevivência e o crescimento dos projetos ‘infofi’ no longo prazo.








