Pesquisadores da Universidade de Bremen, em colaboração com a Universidade Transilvânia de Brașov, na Romênia, apresentaram em 11 de janeiro de 2026 uma nova teoria da gravidade que pode explicar a aceleração cósmica do universo sem a necessidade da enigmática energia escura, conforme noticiado pela ScienceDaily. Essa descoberta, publicada no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics, sugere uma revisão fundamental de como compreendemos a expansão do cosmos.
A expansão acelerada do universo é um dos maiores mistérios da física contemporânea, desafiando as explicações convencionais. A visão padrão do universo é construída sobre a teoria da relatividade geral de Einstein e o modelo padrão da física de partículas. Dentro desse arcabouço, cientistas geralmente assumem a presença de uma força invisível conhecida como “energia escura” para justificar o crescimento acelerado do espaço. Contudo, a verdadeira natureza e origem da energia escura permanecem desconhecidas, tornando-a uma solução insatisfatória para muitos cientistas.
A necessidade de adicionar manualmente um termo de energia escura às equações de Friedmann, que descrevem a evolução do universo, sempre foi um ponto fraco. Essa adição não deriva naturalmente da teoria da relatividade geral, o que motivou a busca por alternativas mais coesas. A nova abordagem proposta oferece uma perspectiva geométrica para o problema, potencialmente remodelando nossa compreensão das leis fundamentais do universo.
O enigma da energia escura e a relatividade geral
Cosmólogos utilizam a teoria da relatividade geral de Einstein, juntamente com as equações de Friedmann, para descrever as mudanças do universo ao longo do tempo. No entanto, essas equações falham quando aplicadas às observações astronômicas reais que indicam uma expansão acelerada. Para que os modelos teóricos se alinhem com o que os telescópios observam, os cientistas precisam inserir um “termo de energia escura” adicional nas equações. Essa adição, não sendo intrínseca à teoria, tem sido objeto de debate e insatisfação na comunidade científica, levantando questões sobre a completude da nossa compreensão gravitacional.
A energia escura tem sido a explicação predominante para a aceleração cósmica desde sua descoberta no final dos anos 90, mas seu caráter misterioso e a falta de detecção direta impulsionam a busca por outras soluções. A ideia de que o próprio espaço-tempo poderia estar impulsionando a aceleração cósmica sem a necessidade de uma força extra é um avanço significativo que pode redefinir o campo da cosmologia.
A gravidade de Finsler como alternativa
Diante das limitações da relatividade generalizada em explicar a aceleração cósmica sem a energia escura, a equipe do Centro de Tecnologia Espacial Aplicada e Microgravidade (ZARM) da Universidade de Bremen, em colaboração com pesquisadores romenos, explorou uma ideia alternativa. Os resultados de seu trabalho, detalhados no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics, baseiam-se em uma extensão da relatividade geral conhecida como gravidade de Finsler. Esta abordagem, desenvolvida nos últimos anos, utiliza uma descrição mais ampla da geometria do espaço-tempo.
Ao contrário da formulação padrão da relatividade geral, a gravidade de Finsler é capaz de descrever o comportamento gravitacional de gases com maior precisão. Essa diferença revela-se crucial ao modelar o comportamento em larga escala do universo. Quando os pesquisadores aplicaram a gravidade de Finsler às equações de Friedmann, as equações modificadas — as equações de Finsler-Friedmann — previram naturalmente um universo em aceleração, mesmo no espaço vazio.
Christian Pfeifer, físico do ZARM e membro da equipe de pesquisa, destaca a importância da descoberta: “Esta é uma indicação empolgante de que podemos explicar a expansão acelerada do universo, pelo menos em parte, sem energia escura, com base em uma geometria generalizada do espaço-tempo”. Essa nova perspectiva geométrica sobre o problema da energia escura abre possibilidades para uma compreensão mais profunda das leis da natureza no cosmos.
A proposta da gravidade de Finsler representa um passo audacioso para desvendar um dos maiores enigmas da cosmologia. Ao oferecer uma explicação intrínseca para a aceleração cósmica, a pesquisa da Universidade de Bremen e seus colaboradores sugere que a complexidade do universo pode residir na própria estrutura do espaço-tempo, e não em componentes exóticos e indetectáveis. Os próximos anos serão cruciais para testar essa teoria, que pode redefinir nossa busca por uma compreensão unificada do cosmos.











