A Arábia Saudita removeu as últimas barreiras de seu mercado de capitais, permitindo que, a partir de 1º de fevereiro de 2026, qualquer investidor estrangeiro compre ações diretamente em Riade, um movimento que redefine os fluxos globais de capital. Essa abertura da bolsa de valores, a Tadawul, representa uma transformação estrutural significativa para a região do Golfo, que historicamente tem sido vista mais como fonte de capital do que como destino de investimento.

A decisão de eliminar o regime de Investidor Estrangeiro Qualificado (QFI), que antes limitava o acesso, é um pilar fundamental da ambiciosa Visão 2030 do reino. Essa estratégia visa diversificar a economia, reduzindo a dependência do petróleo e posicionando o país como um polo de investimento institucional.

Com um PIB robusto, a Arábia Saudita busca atrair mais de US$ 100 bilhões anuais em investimento estrangeiro direto (IED) até 2030, direcionando recursos para setores como tecnologia, turismo, imobiliário e manufatura. O mercado de ações, que já demonstrou resiliência e otimismo com valorizações recentes, é um termômetro direto dessa transformação econômica.

A Visão 2030 e a atração de capital

A iniciativa Visão 2030, lançada pelo Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman em 2016, é o motor por trás da liberalização do mercado financeiro. Ela busca modernizar e diversificar a economia nacional, transformando a Arábia Saudita em um ambiente de negócios favorável e seguro.

Desde 2017, o volume de IED na economia saudita atingiu surpreendentes US$ 215 bilhões, com um crescimento de 158% no investimento de 2017 a 2023, evidenciando o impacto das reformas legislativas. Essas mudanças incluem aprimoramentos nos direitos dos investidores e a simplificação dos processos de registro para estrangeiros.

A abertura do mercado de ações da Arábia Saudita fortalece sua posição como um dos principais mercados emergentes, competindo por capital global com outras economias em desenvolvimento. O Índice de Todas as Ações da Tadawul (TASI), principal indicador da bolsa, já acompanha o desempenho de um vasto número de empresas.

Governança corporativa e o escrutínio dos investidores

Apesar do entusiasmo com a abertura, investidores estrangeiros scrutinizarão a qualidade das regulamentações de governança corporativa da bolsa. Segundo Alissa Kole, em artigo para o Project Syndicate, essas normas provavelmente precisarão de ajustes finos.

A Arábia Saudita tem implementado reformas para alinhar suas práticas empresariais às melhores normas internacionais, exigindo conselhos de administração independentes e maior transparência financeira. O Saudi Tadawul Group, que se tornou uma holding em 2021, enfatiza a importância da governança em suas operações e subsidiárias.

Essas melhorias são cruciais para garantir a proteção dos acionistas e atrair o capital institucional que o reino almeja. A evolução contínua da governança corporativa no mercado de ações da Arábia Saudita será um fator determinante para a confiança e o sucesso dos investimentos internacionais a longo prazo.

A globalização do mercado de ações saudita representa um marco na jornada de diversificação econômica do reino, prometendo transformar sua paisagem financeira. Embora os desafios em governança corporativa persistam, o compromisso com a Visão 2030 e as reformas contínuas indicam um futuro de maior integração e relevância nos mercados globais, redefinindo o papel da Arábia Saudita no cenário financeiro internacional.