O cenário corporativo global se prepara para um 2026 repleto de incertezas e tendências transformadoras. Um recente artigo da Fast Company, inspirado na metodologia de Byron Wien, aponta oito previsões ousadas que podem redefinir setores, desde a estagnação das ações de tecnologia até a queda nos custos de energia.

Essas previsões de negócios para 2026 não são meras adivinhações, mas provocações estratégicas para o diálogo. A abordagem, popularizada por Wien, um estrategista de mercado renomado, visa identificar tendências subjacentes e desafiar suposições estabelecidas no mercado financeiro e tecnológico.

O objetivo é incitar reflexão sobre os movimentos que moldarão os próximos meses, permitindo que empresas e investidores preparem-se para cenários diversos. A essência não é acertar em cheio, mas compreender as forças em jogo, conforme ensinado por Wien.

A volatilidade tecnológica e o futuro do trabalho

Uma das previsões mais marcantes sugere que as ações de tecnologia, após um período de euforia, podem estagnar em 2026. Embora os lucros de IA em empresas como Nvidia sejam impressionantes e o domínio de gigantes como Google e Microsoft cresça, o valor incremental para usuários finais ainda não se ampliou significativamente, segundo a Fast Company. A NielsenIQ, em colaboração com a Consumer Technology Association (CTA), projeta que as vendas globais de tecnologia e bens duráveis se estabilizarão em 2026, após um forte 2025.

Investimentos massivos em IA, embora impulsionem números para um grupo seleto, não elevam todos os barcos. Especialistas preveem um período de consolidação ou, no pior cenário, uma correção, embora o financiamento via caixa reduza o risco de um crash severo, indica a Fast Company. Relatórios da Alura e Inforchannel também destacam que 2026 será um ano de amadurecimento tecnológico, com foco na integração da IA em fluxos de trabalho.

Paralelamente, a inteligência artificial pode se tornar uma justificativa, e não a causa primária, para demissões, conforme a Fast Company. A força de trabalho passará por uma reestruturação impulsionada por ferramentas de IA, mas o impacto direto na substituição de empregos humanos ainda é periférico. Um relatório da OIT aponta que a automação pode substituir parcialmente cerca de 75 milhões de postos de trabalho, mas a IA pode criar 427 milhões de novos empregos globalmente.

Líderes empresariais podem usar a IA como “cobertura pública” para cortes de pessoal resultantes de sobre-expansão ou da evolução de práticas de negócios. Essa dinâmica transformará a identificação de demissões genuinamente relacionadas à tecnologia em um desafio. Apesar das preocupações, a IA tem tornado os trabalhadores mais valiosos, e empregos altamente expostos à IA tiveram crescimento pós-Covid, segundo um relatório do R7.

Cibersegurança em alerta e a revolução energética

Outra previsão audaciosa aponta para um nível crítico de ciberataques, conforme a Fast Company. Embora as empresas de cibersegurança destaquem o potencial da IA como um aprimorador de segurança, identificando ameaças inéditas, os “maus atores” também utilizam a tecnologia para exploits mais sofisticados. As tendências para 2026 indicam ataques automatizados, modelos de IA mais sofisticados e a evolução do ransomware, como apontado por especialistas da E-TRUST e We Live Security.

Apesar da crença de que a “IA protetora” é superior, nem todas as empresas ou indivíduos possuem sistemas de defesa de ponta. Isso sugere um aumento na frequência e sofisticação dos ataques, com disrupções significativas esperadas para 2026, impactando contas bancárias e redes elétricas, conforme a Fast Company. A Splashtop ressalta que a cibersegurança em 2026 exigirá automação com inteligência artificial, arquiteturas Zero-Trust e estratégias focadas em resiliência.

Em contraste, os custos de eletricidade devem cair, segundo a Fast Company. A década de investimentos em energia renovável globalmente, especialmente pela China, está criando uma base de autossuficiência energética em diversas partes do mundo. O investimento global em energia deve atingir um recorde de US$ 3,3 trilhões em 2025, com tecnologias de energia renovável atraindo o dobro de capital dos combustíveis fósseis, conforme a IEA.

Essa tendência de eletrificação global, em escala muito superior às demandas dos data centers de IA, mascarará as preocupações iniciais com os preços da energia, de acordo com a Fast Company. No entanto, é importante notar que alguns mercados regulados podem ver aumentos. Em Portugal, por exemplo, a ERSE propôs um aumento de 1% nas tarifas de eletricidade para 2026, embora abaixo da inflação.

As previsões de negócios para 2026, embora ousadas, servem como um lembrete valioso da complexidade do cenário global. Navegar por um mundo caótico exige uma mente aberta e a capacidade de se adaptar. A sabedoria está em antecipar as grandes correntes, não em prever cada onda.