Os vistos americanos de ‘habilidade extraordinária’, originalmente concebidos para artistas, músicos e atletas renomados, estão cada vez mais sendo concedidos a influenciadores digitais e criadores de conteúdo do OnlyFans. Essa guinada representa uma redefinição notável do que se entende por talento excepcional na era digital, abrindo novas portas para profissionais da internet buscarem oportunidades nos Estados Unidos.

Relatórios recentes indicam que advogados de imigração observam que influenciadores de mídias sociais já representam mais da metade de seus solicitantes para o visto O-1. Essa categoria, conhecida por sua flexibilidade e ausência de limites anuais, permite que indivíduos com reconhecimento nacional ou internacional em suas áreas trabalhem legalmente nos EUA.

A mudança é impulsionada pela evolução da própria cultura e da economia criativa. O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) define ‘artes’ de forma ampla, englobando qualquer campo de atividade ou trabalho criativo. Historicamente, isso incluía cantores e atores, mas hoje os criadores de conteúdo dominam novas formas de mídia, e a influência cultural migrou significativamente para o ambiente online.

A redefinição da ‘habilidade extraordinária’ no cenário digital

Para se qualificar para um visto O-1B, os candidatos devem apresentar evidências de pelo menos três dos seis critérios regulatórios exigidos. Tradicionalmente, isso poderia incluir papéis de destaque em produções, reconhecimento nacional ou internacional por conquistas, e um salário elevado em comparação com outros na mesma área. No contexto dos influenciadores, essa comprovação se adapta a um novo panorama.

Um influenciador pode demonstrar ‘habilidade extraordinária’ através de uma vasta cobertura da mídia e imprensa sobre seu trabalho, um grande número de seguidores em plataformas como Instagram, YouTube ou TikTok, e parcerias com marcas relevantes. Prêmios do setor, como o Shorty Award ou Webby Award, também fortalecem a aplicação. Ganhos significativos com patrocínios e conteúdo exclusivo são igualmente considerados, evidenciando o impacto e o sucesso financeiro na área.

A ascensão do visto O-1B para esses profissionais reflete o reconhecimento de que a criação de conteúdo digital, especialmente com plataformas como o OnlyFans, pode gerar uma influência e um impacto econômico comparáveis às formas de arte mais tradicionais. Segundo a Fast Company, o número de vistos O-1 aprovados anualmente cresceu mais de 50% entre 2014 e 2024, superando o crescimento de aproximadamente 10% nos vistos de não-imigrantes em geral.

Implicações e o futuro da imigração de talentos

Embora os vistos O-1 ainda representem uma pequena fração do sistema de imigração, com menos de 20.000 emitidos em 2024 contra centenas de milhares de vistos de trabalho H-1B, sua crescente popularidade entre os criadores de conteúdo é um sinal claro de uma mudança. Diferentemente do H-1B, que possui um limite anual e um processo de loteria, o visto O-1 é baseado no mérito e não está sujeito a cotas, podendo ser solicitado a qualquer momento do ano e renovado indefinidamente.

Essa flexibilidade torna o O-1B uma opção atraente para talentos digitais. A necessidade de um patrocinador nos EUA pode ser atendida por um agente, permitindo que o profissional trabalhe em múltiplos projetos e com diferentes marcas. Contratos de trabalho e um itinerário detalhado das atividades planejadas nos EUA são partes essenciais da petição.

A adaptação das políticas de imigração para incluir influenciadores e criadores de conteúdo demonstra a capacidade do sistema em reconhecer e integrar novas formas de talento e contribuição para a economia americana. Este desenvolvimento abre um precedente importante para o reconhecimento formal de carreiras digitais no cenário global, indicando que o futuro da ‘habilidade extraordinária’ é cada vez mais moldado pela inovação e pelo impacto online. Para mais informações, o site oficial do USCIS oferece detalhes sobre os critérios de elegibilidade para o visto O-1.