Após um período de otimismo cauteloso, o Bitcoin registrou um recuo significativo, aproximando-se da marca de US$ 91.000 nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026. Este movimento ocorre precisamente um ano após o início da nova administração Trump, levando os mercados de criptoativos a uma intensa reavaliação de riscos e expectativas.

A desvalorização reflete uma crescente incerteza regulatória e macroeconômica que tem pesado sobre os investidores. O cenário político nos Estados Unidos, com suas implicações para a política monetária e a supervisão de ativos digitais, emerge como um vetor crucial para a volatilidade atual do Bitcoin.

Analistas do mercado global observam que a promessa de desregulamentação da campanha de Trump, embora inicialmente vista como um impulsionador para setores inovadores, agora gera cautela. A falta de clareza sobre a abordagem do governo em relação às criptomoedas, combinada com dados econômicos mistos, contribui para um ambiente de maior aversão ao risco.

O impacto da incerteza regulatória na reprecificação

A percepção de risco no mercado cripto tem sido amplificada pela ausência de uma estrutura regulatória federal coesa nos EUA. Embora a expectativa fosse de uma postura mais branda sob a administração atual, a realidade tem sido de um impasse legislativo, mantendo os investidores em compasso de espera.

Segundo um relatório recente da CoinDesk sobre política e regulação de criptoativos, a falta de diretrizes claras tem impedido a adoção institucional em larga escala e fomentado a especulação. “A cada declaração ambígua de Washington, vemos um tremor nos preços dos ativos digitais”, observa Ana Cristina Mendes, economista-chefe da CriptoInvestimentos S.A.

Essa dinâmica é particularmente evidente na forma como os grandes investidores institucionais ajustam suas posições. A reprecificação de risco não se limita apenas à volatilidade inerente do Bitcoin, mas também à forma como o capital está sendo alocado em um cenário de políticas governamentais imprevisíveis. Além disso, a cobertura de veículos especializados como o The Block tem destacado a sensibilidade do mercado a qualquer indício de mudança na postura oficial.

Cenário macroeconômico global e a volatilidade do Bitcoin

Para além das questões regulatórias internas dos EUA, o Bitcoin também reage a um complexo cenário macroeconômico global. A inflação persistente em economias desenvolvidas e as respostas dos bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, continuam a moldar o apetite por ativos de risco.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) de seu World Economic Outlook de 2025 indicam uma desaceleração do crescimento global, o que historicamente leva investidores a buscar refúgio em ativos menos voláteis. Este movimento, somado à valorização do dólar americano, exerce pressão descendente sobre o preço do Bitcoin.

Especialistas da Bloomberg Crypto apontam que, embora o Bitcoin seja frequentemente comparado ao “ouro digital”, sua correlação com mercados de ações e índices de tecnologia permanece forte. Assim, qualquer aversão ao risco em mercados tradicionais tende a se espalhar para o universo cripto, exacerbando a queda observada.

A trajetória do Bitcoin nos próximos meses dependerá em grande parte da clareza política e econômica. A comunidade cripto aguarda sinais mais concretos da administração Trump sobre sua visão para o setor, bem como a evolução da economia global. A capacidade do Bitcoin de se recuperar e estabilizar acima da marca de US$ 91.000 será um teste crucial para a resiliência do mercado de ativos digitais neste novo ciclo político.