O Brasil se destaca globalmente pelo tempo que seus cidadãos dedicam às telas de smartphones e e computadores, com uma média diária superior a nove horas de conexão e quase quatro horas destinadas apenas às redes sociais. Este comportamento, muitas vezes inconsciente, alimenta o fenômeno do doomscrolling e tem motivado o surgimento de influenciadores digitais focados no combate ao vício em redes sociais, buscando reverter a tendência de rolagem infinita de conteúdo negativo.
A imersão prolongada no ambiente digital, especialmente em plataformas sociais, não é inofensiva. Estudos recentes indicam uma correlação direta entre o uso excessivo dessas mídias e o aumento de casos de ansiedade, depressão e baixa autoestima na população brasileira. A constante comparação com vidas idealizadas e a exposição a um fluxo ininterrupto de notícias negativas contribuem para um ciclo vicioso que afeta a saúde mental de milhões.
O fenômeno do doomscrolling e seus impactos
O doomscrolling, termo que descreve o hábito de consumir compulsivamente um fluxo interminável de notícias frequentemente negativas, tornou-se um comportamento comum na era digital. Esse ciclo vicioso, impulsionado por algoritmos projetados para maximizar o engajamento, prende os usuários em uma espiral de informações angustiantes, gerando ansiedade e estresse.
As plataformas de mídia social são estruturadas para prender a atenção, utilizando notificações e reações que convidam ao retorno constante e à rolagem infinita. A exposição contínua a conteúdos perturbadores pode levar à fadiga mental e à percepção distorcida da realidade, onde o negativo parece dominar. A Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo, já alertou para os riscos do uso excessivo de telas, especialmente entre crianças e adolescentes, que podem sofrer impactos cognitivos e emocionais significativos.
A ascensão dos influenciadores anti-doomscrolling
Em resposta a esse cenário, uma nova geração de criadores de conteúdo, os influenciadores anti-doomscrolling, tem se dedicado a promover o bem-estar digital. Uma das vozes proeminentes nesse movimento é Olivia Yokubonis, conhecida online como Olivia Unplugged, que utiliza plataformas como Instagram e TikTok para lembrar gentilmente os espectadores sobre o tempo excessivo que passam online, conforme reportado pela Fast Company.
A abordagem de Olivia, e de outros influenciadores semelhantes, consiste em interrupções estratégicas que servem como “despertadores” digitais, incentivando os usuários a fechar os aplicativos e a se reconectar com o mundo real. Essa estratégia se alinha com pesquisas que demonstram que a simples consciência do tempo de tela pode levar a uma redução voluntária do uso. Ofir Turel, professor de gestão de sistemas de informação da Universidade de Melbourne, observou que muitas pessoas ficam chocadas ao verem seus próprios dados de tempo de tela e, posteriormente, diminuem seu uso.
Esses influenciadores não buscam demonizar as redes sociais, mas sim capacitar os usuários a desenvolverem uma relação mais consciente e equilibrada com a tecnologia. Ao oferecer dicas práticas para o combate ao doomscrolling e incentivar atividades offline, eles desempenham um papel crucial na promoção de hábitos digitais mais saudáveis e na mitigação dos impactos negativos da conectividade constante, um tema de crescente preocupação para a saúde mental.
O futuro da interação digital dependerá cada vez mais da capacidade individual de gerenciar o tempo de tela e filtrar o conteúdo consumido. A ascensão dos influenciadores anti-doomscrolling sinaliza uma mudança cultural, onde a busca pelo bem-estar digital se torna uma prioridade, impulsionando um uso mais intencional e menos compulsivo das ferramentas que moldam nossa comunicação e acesso à informação, como apontam estudos sobre a rotina digital dos brasileiros.











